G8 pede medidas contra Irã, mas se esquiva sobre sanções

Julio César Rivas. Ottawa, 30 mar (EFE).- Os membros do Grupo dos Oito (G8, sete países mais industrializados e a Rússia) falaram hoje em Ottawa sobre a necessidade de adotar medidas sobre o Irã e seu projeto nuclear, mas encerraram a reunião sem mencionar diretamente sanções no comunicado final.

EFE |

Após semanas de declarações contundentes dos representantes do Canadá, dos Estados Unidos e de alguns dos países europeus do G8, o comunicado final após dois dias de reuniões centradas na proliferação nuclear e no programa atômico do Irã deixou a desejar.

Mas os representantes do grupo afirmaram que a reunião tinha conseguido os objetivos colocados e que nunca se esperou que o G8 fizesse uma declaração exclusiva sobre possíveis sanções ao Irã em represália ao programa nuclear.

O texto estipulado pelo G8 assinala que é necessário tomar "medidas apropriadas e fortes" para demonstrar a determinação internacional com o cumprimento do regime de não-proliferação nuclear e persuadir o Irã a gerar mais confiança sobre a natureza pacífica de seus projetos.

O comunicado também fala que os ministros estão de acordo em "manter um diálogo aberto" com o regime iraniano.

Durante a entrevista coletiva final, EUA e Canadá justificaram a falta de menção direta a sanções apesar da linguagem mais dura usada antes do início da reunião.

"Não esperávamos nenhum tipo de declaração do G8 parecida com a que você está descrevendo", afirmou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, à pergunta de se a falta de menção a possíveis sanções se devia à ausência da China.

A China, um dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mas que não faz parte do processo do G8, pode vetar a adoção de qualquer resolução sobre o programa nuclear iraniano.

"Não era nossa intenção, como anfitrião do G8, redigir declarações separadas em termos de possíveis sanções contra o Irã", afirmou o ministro de Assuntos Exteriores do Canadá, Lawrence Cannon.

"A reunião nos deu a oportunidade de ser capazes de avaliar em que ponto da discussão nos encontramos (...). Como grupo consideramos que o fórum principal para tomar ações é o Conselho de Segurança da ONU", acrescentou.

Hillary concordou com o ministro canadense ao assinalar que "o G8 não é o fórum negociador para a criação de uma resolução que estabeleça a imposição de sanções efetivas contra o Irã".

Mas nenhum dos oito ministros presentes - em representação de EUA, Canadá, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia - foi capaz de dar uma indicação de quais poderiam ser as sanções necessárias para que o Irã deixe de enriquecer urânio, principal reivindicação das potências ocidentais.

Hillary também reconheceu de forma indireta que a chamada a duras sanções realizada por EUA, Canadá e outros países está encontrando resistência.

"Temos muito o que fazer na ONU. Estamos progredindo de forma lenta, mas segura para apresentar o caso e tentar fazer uma redação que represente o que estamos tentando conseguir a respeito das sanções", afirmou a secretária de Estado.

O G8 se mostrou mais explícito, porém, em relação à Coreia do Norte.

A declaração final pede ao regime de Pyongyang que volte às negociações e que cumpra os compromissos firmados no passado, incluindo a desnuclearização da península coreana. EFE jcr/rr

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