A Cúpula do G8 (Grupo dos oito países mais industrializados) não encontrou uma solução a curto prazo para responder à crise financeira, alimentar e energética que estava em discussão, mas apostou nas perspectivas da economia mundial, manifestando, ao mesmo tempo, muitas preocupações.

"Mesmo reconhecendo que o crescimento desacelerou, estamos confiantes em suas perspectivas", indica a declaração da presidência japonesa publicada nesta quarta-feira ao final da Cúpula de Toyako (Japão).

"No entanto, reconhecemos a necessidade de responder às questões levantadas pelo nível elevado dos preços do petróleo e dos alimentos e às pressões inflacionárias mundiais, à estabilidade dos mercados financeiros e à luta contra o protecionismo", continuou.

Sobre o petróleo, que está custando quase US$ 150, o G8 se limitou a pedir uma adaptação da produção ao consumo e também investimentos no setor de refino.

Isto não contribuirá certamente para reduzir os preços. Os preços do petróleo dobraram no último ano e quintuplicaram desde 2003.

"Desde o início, os mercados não esperavam grandes coisas da cúpula", destacou Tomoko Fujii, a principal economista do Bank of America em Tóquio.

"É muito difícil para os dirigentes do G8 resolverem problemas como o do petróleo se os principais atores não estão ao redor da mesa", acrescentou.

Dos oito países (Alemanha, Canadá, EUA, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) somente um, a Rússia, é um exportador de petróleo importante.

"Isto tem um impacto sobre todos os países do mundo", lamentou o primeiro-ministro britânico Gordon Brown. "Temos que admitir que isto é um problema global", disse.

A disparada dos preços da energia pode também ter uma responsabilidade no aumento dos preços dos produtos alimentícios, que vem provocando manifestações nos países pobres.

O secretário-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, advertiu que a inflação em certos países da África e da América Latina está se tornando "incontrolável" e que as altas das taxas de juros podem se fazer necessárias para conter os preços.

"A inflação é provavelmente hoje a maior ameaça para a economia mundial", afirmou.

O G8 não fez referência à queda do dólar em suas múltiplas declarações. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, destacou que ele e seus colegas estavam convencidos de que um dólar franco é ruim para a economia mundial.

"Existe atualmente uma análise claramente convergente sobre os desgastes econômicos que podem constituir estes desequilíbrios monetários e sobre a natureza destes desequilíbrios monetários: um dólar muito baixo e um euro muito elevado", revelou Sarkozy.

O presidente americano, George W. Bush, reafirmou sua crença numa política de dólar forte, mas não foi mais longe em seu compromisso de ajudar a fazer a moeda subir.

A alta dos preços do petróleo pode ser explicada em parte pela queda do dólar, porque a divisa americana é a moeda de referência para o comércio do ouro negro e os investidores se refugiam no petróleo para seus investimentos em dólar, prestes a sofrer desvalorização.

"A Cúpula do G8 não teve nenhum impacto sobre os mercados", constatou Yosuke Hosokawa, responsável do câmbio em Chuo Mitsui Trust Bank de Tóquio.

Ele destacou que as expectativas sobre as iniciativas do G8 para enfrentar a crise econômica são muito baixas, "sobretudo porque todos dizem há vários anos que a própria cúpula é uma caixa vazia".

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