G8 e empresários debatem impacto da crise sobre energia

Roma, 24 mai (EFE).- A estabilidade dos preços de fontes energéticas como o petróleo e sua possível escassez uma vez superada a atual crise econômica, que fez cair a demanda pela commodity, foram hoje o tema central do primeiro dia do encontro G8 Energia, que acontece em Roma.

EFE |

Esta cúpula, paralela ao Energy Business Forum, promovido por empresas do setor, abordará até amanhã o presente e o futuro dos principais temas relacionados ao mercado energético mundial.

Neste domingo, delegações governamentais do G8 (os sete países mais industrializados e a Rússia) e de mais 14 países, entre eles Brasil e México, debateram o impacto da crise econômica sobre o setor e as medidas que deveriam ser adotadas para fazer frente à queda nos investimentos.

Nas primeiras reuniões, tanto os representantes das empresas como os dos Governos, entre os quais há países produtores e consumidores de energia, ressaltaram a importância de grandes investimentos serem feitos para evitar um déficit de energia depois que a crise acabar.

Segundo o ministro italiano de Desenvolvimento Econômico, Claudio Scajola, se não houver estímulo, a queda no consumo e a dificuldade atual das empresas em obter créditos para investir farão a capacidade de geração e distribuição de energia estagnar.

"É preciso favorecer a transparência e a estabilidade dos mercados. Os preços sustentáveis e equilibrados nos permitem conjugar melhor o crescimento econômico, o desenvolvimento tecnológico e a tutela do meio ambiente", acrescentou Scajola numa entrevista coletiva.

O ministro, que é o anfitrião da cúpula, já que o G8 é atualmente presidido pela Itália, disse ainda que os baixos preços do petróleo "podem favorecer a recuperação do crescimento econômico, mas desestimulam os investimentos em eficiência energética, em fontes renováveis e na redução de emissões" de gases, assunto que também foi abordado hoje.

"Queremos a estabilização dos preços", disse o secretário de Energia dos Estados Unidos, Steven Chu, ao cruzar com jornalistas na saída de um dos encontros.

Por sua vez, o presidente da companhia petrolífera italiana Eni, Roberto Poli, declarou que, para a produção de petróleo retornar ao nível de antes da crise, o preço da commodity precisa se estabilizar entre US$ 60 e US$ 70.

Outro tema discutido no primeiro dia do encontro, que amanhã tratará das medidas para fazer a energia chegar aos mais pobres, foram os dados do último relatório da Agência Internacional da Energia (AIE).

Segundo o documento, uma a cada quatro pessoas no mundo - ou seja, 1,6 bilhão - vive sem energia, panorama que pode ser agravado pela crise.

Os empresários e representantes dos Governos também conversaram sobre energia nuclear, que, segundo Fulvio Conti, executivo-chefe da elétrica italiana Enel, sofrerá menos com a queda dos investimentos.

Aproveitando o encontro, a empresa de geração de energia assinou um acordo com o Egito sobre eficiência energética e exploração de fontes renováveis.

Do G8 Energia, participam delegações dos Governos de Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, França, Canadá, Japão, Itália e Alemanha, Rússia, China, Índia, México, África do Sul, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Egito, Argélia, Austrália, Líbia, Nigéria, Ruanda e Turquia. EFE mcs/sc

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