G8 conclui cúpula com doação de US$ 20 bi contra a fome na África

Fernando A. Busca.

EFE |

L'Aquila (Itália), 10 jul (EFE).- A cúpula dos chefes de Estado e de Governo do G8 (os sete países mais industrializados e a Rússia) terminou hoje, na cidade italiana de L'Aquila, com o compromisso do grupo de doar US$ 20 bilhões contra a fome e a possibilidade de o seleto clube incorporar mais seis nações.

Após três dias de encontros, os países do G8 (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Rússia) decidiram contribuir para a segurança alimentar no mundo. O compromisso foi selado depois de um encontro com vários países africanos.

A última minuta do documento final sobre segurança alimentar, redigida pela delegação do presidente americano, Barack Obama, dizia que a contribuição financeira do G8 contra a fome seria de US$ 15 bilhões em três anos. No fim, porém, os países anunciaram US$ 5 bilhões a mais para a iniciativa.

Segundo um alto funcionário americano, o aumento da doação foi proposto após um discurso de Obama, que mencionou seus vínculos familiares com a África - o pai dele é de origem queniana - ao ressaltar a importância da segurança alimentar.

A soma de US$ 20 bilhões, apesar de maior que a esperada, não foi suficiente para agradar a todos. A ONG Ajuda em Ação, por exemplo, disse que a doação anunciada representa apenas um terço do que o mundo precisa para acabar com a fome.

Por outro lado, o Fundo Internacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Agricultura (Ifad) mostrou-se satisfeito pela inclusão da segurança alimentar na agenda do G8.

Após o encontro desta sexta-feira entre o G8 e os representantes da África - Líbia, Etiópia e Angola, entre outros - também foi aprovada uma declaração para fomentar o acesso à água e expandir o saneamento básico no continente.

Além disso, os países reunidos aprovaram o combate à pirataria e narcotráfico na África oriental.

Vários dos líderes do G8 destacaram à imprensa a importância da mudança de posição do Governo americano desde a posse de Obama, uma das razões do sucesso de algumas iniciativas.

Um dos acordos mais celebrados pelos líderes foi o alcançado ontem para encerrar a Rodada de Doha até o fim de 2010. O compromisso foi selado no Fórum das Maiores Economias (FME), formado pelo G8, o G5 (Brasil, China, Índia, México e África do Sul), Indonésia, Austrália e Coreia do Sul.

Na entrevista coletiva posterior ao encerramento das reuniões, o anfitrião da cúpula e primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou que o G8 não tem autoridade para tomar decisões de alcance global e que o grupo deveria incorporar o G5 e o Egito.

A posição de Berlusconi foi compartilhada pelo chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se declararam a favor de um G8 mais representativo.

Por sua vez, o presidente americano, Barack Obama, classificou a cúpula como "muito produtiva". Mas admitiu que o sistema atual de encontros internacionais poderia "tornar-se mais efetivo", com menos reuniões e mais resultados nas que ocorrerem.

Além de lamentar a falta de acordo entre o G8 e as economias emergentes sobre uma meta específica para a redução das emissões de CO2 até 2050, Obama também defendeu a reforma da ONU, que, segundo disse, "não funciona como deveria".

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, também se declarou "insatisfeito" com a falta de acordo sobre a redução das emissões. Preocupado, convocou uma conferência internacional sobre a mudança climática para antes da próxima cúpula do G20, que acontecerá no fim de setembro, em Pittsburg (EUA).

Quanto aos assuntos econômicos, Berlusconi afirmou que, durante a cúpula, os chefes de Estado e de Governo concordaram em combater a especulação no mercado do petróleo. EFE fab/sc

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