G7 nega divergência, mas não acorda reforma no sistema financeiro

Julio César Rivas. Toronto (Canadá), 6 fev (EFE).- Os países-membros do Grupos dos Sete (G7, nações mais industrializadas) encerraram hoje uma reunião no Canadá sem acordo sobre o conteúdo das reformas do sistema financeiro global, embora tenham deixado claro que não há divergências sobre a prevenção de futuras crises.

EFE |

No que os ministros de Economia de Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Japão chegaram a um acordo é de que os organismos internacionais têm que cancelar a dívida externa do Haiti para facilitar a reconstrução do país após o terremoto.

Durante a reunião, realizada na cidade de Iqaluit, também foi tratada em profundidade a situação na zona do euro, onde existe preocupação sobre a dívida de vários países.

"Os representantes da zona do euro deixam claro que a situação na Grécia é grave e que os problemas têm que ser solucionados", disse Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, fórum informal que reúne os ministros das Finanças da área de moeda única.

Mas a reforma do sistema financeiro mundial foi um dos aspectos mais conflituosos da reunião, que também teve a presença dos presidentes dos bancos centrais dos países-membros assim como dos chefes do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, e do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick.

"Acho que todos estamos profundamente comprometidos em avançar e alcançar um acordo sobre um conjunto de reformas financeiras fortes e globais, no período que todos nos comprometemos em setembro", afirmou o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, durante a entrevista coletiva final.

O americano reiterou que no final do ano haverá um acordo sobre novos "requisitos de capital para grandes instituições mundiais".

"(Os EUA) estão muito comprometidos em assegurar que trabalhamos para iniciar (um conjunto) forte, multilateral, justo, a todas estas instituições e mercados globais", afirmou.

Geithner reconheceu que o sistema final será diferente em cada país.

"Todos temos diferentes sistemas e esses padrões comuns que iniciemos vão ter de ser complementados por planejamentos ligeiramente diferentes a nível nacional", comentou.

No entanto, a ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde, foi mais vaga ao falar sobre a forma final que terá um futuro acordo sobre a reforma financeira mundial.

"Houve um forte consenso em manter o impulso, para trabalhar de forma conjunta e com toda a cooperação possível, ter presente o imperativo da imparcialidade e considerar que, embora todos queiramos ter uma base tão consistente quanto possível, haverá algumas particularidades relacionadas com cada país", afirmou.

Lagarde também insinuou que a prioridade do G7 não é a reforma financeira, mas a recuperação econômica.

"Mas todos estamos preocupados com o fato de que o que inicial não deveria prevenir uma recuperação sustentada e contínua", explicou.

O anfitrião da reunião, o ministro das Finanças canadense, Jim Flaherty, disse que "a situação econômica global melhorou e está melhorando", embora tenha frisado que a situação "não está firme".

Por isso, o ministro disse que o G7 considera ser necessário manter os pacotes de estímulo.

Sobre a questão do Haiti, Flaherty disse, no fechamento da reunião, que os ministros dos países do grupo estão "comprometidos com o perdão da dívida". "Toda a dívida bilateral com o Haiti foi perdoada pelos membros do G7", afirmou.

"A dívida com instituições multilaterais deveria ser perdoada e vamos trabalhar com essas instituições e outros parceiros para que isso aconteça o mais rapidamente possível", acrescentou Flaherty.

Segundo o FMI, a dívida total do Haiti chega a US$ 1,3 bilhão e o maior credor é o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com um total de US$ 447 milhões.

O maior credor (país) do Haiti era a Venezuela, mas em 25 de janeiro seu presidente, Hugo Chávez, anunciou o perdão da dívida, em grande parte derivada da compra de combustível. EFE jcr/rr

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