G7 não é adequado para conter crise, diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o G7 não é um fórum adequado para sanar os efeitos da atual crise econômica mundial porque deixa de fora os países emergentes. Os comentários do ministro foram feitos durante uma entrevista coletiva realizada na sede do FMI, após ele ter participado de uma reunião do G20, no sábado à noite, que contou com a participação, de surpresa, do presidente George W. Bush.

BBC Brasil |


A presença inesperada e sem precedentes do líder americano no encontro que reuniu no FMI apenas ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais foi um sinal da gravidade da crise e um recado de que os Estados Unidos buscam uma ação coordenada para conter a turbulência financeira.

No sábado pela manhã, Bush já havia recebido na Casa Branca os ministros das Finanças dos países que integram o G7 e que participam em Washington do evento semestral do FMI e do Banco Mundial.

Interesse de Bush

''A presença do presidente Bush numa reunião do G20 realizada no FMI demonstra o interesse dele em que essas instituições tenham uma posição mais ativa para a solução da crise. Ele está prestigiando instituições que ele considera importantes para a resolução da crise'', afirmou Mantega.

Mas mesmo com a deferência do líder americano, o ministro procurou deixar claro que o risco de o caos financeiro se alastrar por outros países torna necessária a ampliação de organismos capazes de lidar com crises como a atual.

''Um problema importante é o contágio de uma economia pela outra. Há vários modos de contágio, como a retirada de recursos que estão nos países emergentes, saída de ativos de bolsas, de investimentos de aplicações financeiras'', afirmou.

O G7 é formado pelos países mais ricos do mundo, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Itália, Japão, Alemanha e Canadá.

O G20 reúne as nações mais ricas e as principais economias emergentes. Seus participantes são África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia e União Européia.

De acordo com o ministro, o G7 dispõe de uma estrutura mais capaz de combater os efeitos da crise do que a do G20.

''O G7 está se movimentando para equacionar os problemas europeus, à semelhança do que fizeram os Estados Unidos. O G20 avançou hoje para uma ação coordenada.''

G20 inadequado

Porém, de acordo com Mantega, o problema que atinge o G20 é que ele ''não foi talhado para enfrentar esse tipo de situação''.

''Seu objetivo era mais ser um fórum de discussão de problemas de fundo dos vários países. Ele tem uma conformação que impede uma atuação mais decidida em problemas econômicos. Os ministros se reúnem apenas uma vez ao ano e ao longo do ano são os vices que fazem os encontros.''

A fim de obter o que chamou de uma estrutura mais ágil e capaz de combater crises emergenciais, Mantega acredita que o órgão deveria passar a travar quatro encontros ao ano, como faz o Mercosul.

Ele disse também que espera que o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, com quem manteve um encontro bilateral neste sábado e o presidente do Fed, Ben Bernancke, participem da próxima reunião do órgão. O G20 irá se encontrar em novembro deste ano em São Paulo.

FMI

Ainda neste sábado, o FMI disse apoiar o plano dos países que integram o G7 para combater a crise internacional de crédito.

Em um comunicado divulgado no sábado à noite, o órgão endossou o plano de ação lançado ontem pelas principais economias mundiais.

No documento, o FMI afirmou que a turbulência financeira é tão grave e espalhada que será preciso uma excelente coordenação entre os diferentes países, bem como de boa vontade para adotar medidas ousadas e necessárias.

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