G7 discute como enfrentar a árdua tarefa de restaurar confiança nos mercados

Teresa Bouza Washington, 11 abr (EFE).- Os ministros das Finanças do Grupo dos Sete (G7) enfrentam hoje a dura tarefa de restaurar a confiança nos mercados, durante uma severa crise financeira e econômica global e de uma preocupante fraqueza do dólar.

EFE |

Para injetar a necessária dose de confiança, espera-se que seja feita a recomendação, no final da reunião em Washington, de medidas para melhorar a estabilidade dos mercados, aumentar a transparência dos bancos, de bolsas de valores e agências de classificação de risco e fortalecer a cooperação entre os diferentes supervisores.

As medidas fazem parte de um relatório elaborado pelo Fórum de Estabilidade Financeira (FSF), um grupo com sede na Suíça, integrado por presidentes dos bancos centrais e de órgãos reguladores, que pretende, com sua iniciativa, impedir que se repitam problemas como os atuais.

O FSF expõe que a desregulação financeira é, em parte, a culpada pela atual crise e quer estabelecer um estudo de medidas para que exista um maior controle sobre bancos e outros intermediários financeiros.

Alguns dos grandes atores no mercado parecem estar de acordo quanto à necessidade de uma maior regulação e supervisão.

Josef Ackermann, presidente de Deutsche Bank, resumiu em declarações na semana passada à revista "The Economist": "Não acredito mais no poder do mercado para curar suas próprias feridas".

Não está claro, no entanto, que exista consenso entre os diretores dos maiores bancos mundiais - alguns deles se reunirão hoje com os representantes do G7 - sobre esta maior preocupação com a regulação.

Mesmo assim, tanto os Estados Unidos, como o Japão e o Reino Unido expressaram seu desejo de que o plano seja implementado de forma rápida e eficaz.

O ministro da Economia britânico, Alistair Darling, apontou hoje - em discurso em Washington, antes da reunião desta noite - que o G7 deve se comprometer a "implementar o relatório do Fórum de Estabilidade Financeira em sua totalidade e de forma rápida".

"Não deveríamos duvidar em atuar se a resposta do mercado se mostra inadequada", acrescentou.

Darling destacou que a economia global atravessa momentos de "incerteza" e defendeu "uma ação urgente por parte das maiores economias mundiais para combater essa que se transformou no maior choque econômico desde a Grande Depressão".

Aguardando a publicação das medidas, os observadores esperam também com interesse qualquer mensagem do Grupo dos Sete países mais industrializados (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido) sobre a atual situação nos mercados de divisas.

Ainda assim, devido à baixa do dólar durante as últimas horas, o mercado não parece antecipar que os titulares de Finanças e os governantes do G7 adotarão alguma medida para frear a fraqueza da moeda americana.

O ministro das Finanças japonês, Fukushiro Nukaga, afirmou hoje que os representantes do G7 abordarão a situação nos mercados cambiais e destacou o efeito contraproducente de uma volatilidade excessiva sobre o crescimento econômico, embora não soubesse explicar se serão adotadas medidas concretas para ajudar o dólar.

"As taxas de câmbio serão discutidas com toda certeza", apontou Nukaga em declarações à imprensa em Washington, dizendo que espera um debate franco nessa frente.

Os EUA se mostraram reticentes em tomar medidas para frear a queda de sua moeda e os observadores acreditam que o país se oporia a qualquer atuação drástica nesse sentido.

A queda do dólar, que preocupa alguns dirigentes europeus, serviu para impulsionar as exportações americanas, um dos poucos setores da economia americana que evolui favoravelmente.

Na questão macroeconômica, está previsto que os ministros discutam as políticas que serão seguidas para combater o atual cenário global, no qual se mistura a possibilidade de uma recessão com as crescentes pressões inflacionárias fruto da alta nos preços dos alimentos. EFE tb/bf/fb

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