G5 pede solução para crise alimentícia e redução de emissão de gases

Miguel F. Rovira Sapporo (Japão), 8 jul (EFE).

EFE |

- Os países do Grupo dos Cinco (G5, formado por Brasil, México, Índia, China e África do Sul) pediram hoje medidas internacionais para resolver a crise alimentícia que atinge as economias em desenvolvimento.

O G5 também solicitou ao Grupo dos Oito (G8, sete países mais industrializados e a Rússia) que lidere a luta contra o aquecimento global.

"A desaceleração econômica global marcada pela incerteza financeira, pela persistência das distorções protecionistas no comércio, pelo aumento dos preços dos alimentos e do petróleo e pelas ameaças da mudança climática trouxeram complexidade ao cenário atual", advertiu o G5 em declaração após a reunião em Sapporo.

Durante a reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente com os chefes de Estado mexicano, Felipe Calderón, chinês, Hu Jintao, e sul-africano, Thabo Mbeki, e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, adotaram uma postura comum para o encontro de amanhã com os líderes do G8.

"O tema predominante de nossa conversa foi o aumento dos preços dos alimentos que afeta substancialmente nossas economias, principalmente as famílias mais pobres", disse Calderón na leitura da declaração conjunta.

Os líderes do G5 destacaram que a crise dos alimentos não é um problema causado pelos países em desenvolvimento, por isso exigiram que a comunidade internacional e seus mecanismos encontrem uma solução rápida para o problema, que atribuíram, em parte, aos subsídios agrícolas concedidos pelos países desenvolvidos.

"Os subsídios agrícolas de bilhões de dólares aplicados nos países desenvolvidos e que distorcem o comércio impediram o desenvolvimento da capacidade de produção de alimentos nos países em desenvolvimento, reduzindo criticamente suas possibilidades de reação frente à crise atual", denunciou o G5.

O G5, formado pelas maiores economias depois das do G8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia) representa 45% da população mundial.

"Argumentou-se que os grandes países em desenvolvimento seriam responsáveis pela alta mundial dos preços dos alimentos. Essa não é uma atitude responsável", disse o presidente chinês durante seu discurso na reunião do G5.

Além de pedirem a conclusão da Rodada de Doha na declaração conjunta, os líderes do G5 reivindicaram junto aos países desenvolvidos um aumento na "ajuda de emergência o mais rápido possível" e o investimento, o financiamento e a transferência de tecnologia para as nações menos avançadas.

Sobre a mudança climática, assunto que o Japão, anfitrião da cúpula do G8 situou no topo da agenda, as cinco economias emergentes pediram que os países do G8 cumpram suas responsabilidades de reduzir a emissão de gases que causam o efeito estufa entre 25% e 40% até 2020 em comparação com os níveis de 1990.

Também pediram a diminuição entre 80% e 95% até 1050, em relação aos índices de emissão registrados em 2020.

O G5 deixou clara sua postura três horas depois de o G8 anunciar em sua cúpula, realizada em Toyako, a 100 quilômetros de Sapporo, um acordo contra a mudança climática que pede as economias avançadas a reduzirem pela metade até 2050 as emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Os líderes do G8 destacaram que fizeram esforços com cerca de 200 países para que seja adotada a meta de reduzir as emissões de gases, pelo menos, em 2050. EFE mfr/wr/rr

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