G33 defende necessidade de criação de salvaguardas especiais para emergentes

Genebra, 21 jul (EFE).- O grupo de países que formam o chamado G33 defendeu hoje a necessidade de estabelecer o mecanismo de salvaguardas especiais para que a Rodada de Doha tenha dimensão real de desenvolvimento.

EFE |

"É agora ou nunca, os dirigentes dos países desenvolvidos devem mostrar que têm a liderança necessária para estabelecer, nesta fase final de negociações, flexibilidades suficientes para os países em desenvolvimento", afirmou em entrevista coletiva a ministra de Comércio da Indonésia, Mari Pangestu, atual coordenadora do G33.

Ministros de 30 países importantes da Organização Mundial do Comércio (OMC) se reúnem esta semana em Genebra para tentarem destravar as negociações da Rodada de Doha, sem avanços há sete anos.

O G33 é formado por nações em desenvolvimento importadoras de produtos agrícolas, e alguns de seus líderes são China, Índia e Indonésia.

O G33 pede para não se coloque em dúvida a necessidade de estabelecer um mecanismo de salvaguarda pelo qual aumentariam as tarifas imediatamente caso houvesse uma entrada em massa de produtos agrícolas ou por uma baixa drástica dos preços externos que pudessem colocar em perigo os agricultores locais.

"Para muitos de nós a agricultura não se refere a uma área do comércio, mas ao sustento vital para milhões de famílias, e por isto devemos protegê-la", acrescentou Pangestu.

Se forem aplicadas, as tarifas poderiam subir para níveis acima dos anteriores a Doha.

Pangestu explicou que as flexibilidades não são totalmente equilibradas entre países ricos e pobres, já que, em seu entender, as salvaguardas e os produtos especiais não são suficientes.

"As salvaguardas e os produtos especiais não equilibram os pobres com os ricos, precisa-se de mais flexibilidades", acrescentou.

Os produtos especiais são aqueles artigos aos quais os países em desenvolvimento podem aplicar exceções ao corte geral estipulado.

Segundo o último texto de negociação, os emergentes poderiam designar entre 10% e 18% de produtos que ficariam fora do corte geral.

Sobre o acesso de mercado, a ministra esclareceu que o G33 é contrário à abertura indiscriminada de seus mercados, pois teme uma avalanche de produtos que acabariam com suas frágeis estruturas agrícolas.

Por este motivo, Pangestu deixou claro que "abrir os mercados por abri-los" não dará certo. "Queremos abrir mercados para que isto ajude nosso desenvolvimento, mas para isto necessitamos de mais flexibilidades que nos ajudem a equilibrar" a situação, acrescentou.

Por outro lado, o G33 pede o fim dos subsídios agrícolas concedidos pelos países ricos a seus produtores, o que o diferencia do G10, grupo dos países desenvolvidos que também são importadores, liderados por Japão e Suíça.

"Queremos o fim dos subsídios, pois distorcem o mercado e são injustos", disse a ministra indonésia. EFE mh/wr/fal

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