G20 reúne-se em meio a mais notícias negativas sobre a economia

César Muñoz Acebes Washington, 14 nov (EFE).- Os Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e principais emergentes) se reúnem neste sábado com o desafio de reformar o sistema financeiro, em um clima de preocupação perante o agravamento dos problemas econômicos nos Estados Unidos e Europa.

EFE |

Trata-se de um grupo heterogêneo que expressou diversos interesses, por isso que se corre o perigo de que a cúpula se desintegre em um festival de recriminações sobre quem tem a culpa pelos "destroços", segundo os analistas.

Alguns dos participantes pediram uma redefinição do sistema financeiro mundial e criticaram o capitalismo com selo americano.

Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou hoje em uma mensagem pelo rádio que "a intervenção do governo não é uma cura para tudo".

"A crise não foi um falha do sistema de livre mercado", disse Bush, que mesmo assim reconheceu que são necessárias reformas para garantir uma regulação "adequada" dos mercados e mais transparência.

Apesar das divergências, parece provável que os participantes da cúpula se coloquem de acordo em uma série de princípios que guiem as mudanças no entrecruzamento financeiro, que marquem uma nova reunião e deixem os detalhes para mais adiante.

Uma das idéias que ganhou força é a criação de um "colégio de supervisores", um ente que agrupe representantes das agências de regulação para vigiar os principais bancos do mundo, cujos "tentáculos" dão a volta ao planeta.

A porta-voz do presidente, Dana Perino, disse hoje que os Estados Unidos apóiam essa proposta.

Trata-se de um projeto muito mais modesto que o estabelecimento de uma agência única de regulação internacional adiantada pela França e à qual os EUA se opõem.

O resultado mais tangível da cúpula provavelmente será um aumento das contribuições ao Fundo Monetário Internacional (FMI), para que atue como bombeiro, enquanto as chamas devoram as contas de um país.

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, oferecerá US$ 100 bilhões à entidade, informou hoje seu escritório em comunicado.

O Fundo também bateu à porta da China e dos países exportadores de petróleo.

O organismo conta com US$ 200 bilhões e pode obter facilmente outros US$ 50 bilhões, mas se um país grande como a Polônia ou a Turquia tiver problemas, suas reservas evaporariam.

Não há muitos países onde os dólares estejam sobrando atualmente.

A zona do euro está oficialmente em recessão, depois que hoje se confirmou uma contração no terceiro trimestre, o segundo exercício consecutivo de baixa do Produto Interno Bruto (PIB).

As vendas no varejo caíram em outubro 2,8% nos Estados Unidos, um número recorde, que supera a diminuição de novembro de 2001, quando os consumidores estavam comovidos pelos atentados em Nova York e Washington.

Estes dados acrescentam urgência ao debate na cúpula, que vai durar dois dias.

Hoje Bush vai oferecer um jantar aos membros do G20. Amanhã, acontecem duas sessões de trabalho no Museu Nacional da Construção (NBM, na sigla em inglês), onde os presentes tentarão lançar as bases da nova edificação financeira internacional.

Haverá também discussão de medidas a curto prazo para enfrentar a crise. Reino Unido, Alemanha e China já anunciaram ou preparam pacotes de estímulo fiscal.

Enquanto isso, o Governo Bush resiste a outro plano de despesa, mas seu sucessor, Barack Obama, disse que essa será sua prioridade quando assumir a Presidência.

A ausência de Obama vai tirar o brilho da cúpula, segundo os analistas, e deixará no ar um processo de reforma que nos próximos dois dias estará apenas começando. EFE cma/ma

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