G20 propõe controle de bônus nos bancos

Ministros das finanças dos países do G20 anunciaram em Londres, neste sábado, uma proposta preliminar que prevê que os bônus pagos pelos bancos recompensem o sucesso no longo prazo, em vez de premiar apostas de alto risco que tragam benefícios rapidamente.

BBC Brasil |

AP
Ministros das Finanças do G20 em foto oficial da reunião em Londres

Ministros das Finanças do G20 em foto oficial da reunião em Londres

Os ministros apoiaram a ideia apresentada pela Grã-Bretanha, como uma alternativa a um limite máximo obrigatório para os bônus, proposto por diversos países.

A proposta original do ministro da Economia britânico prevê regras relacionando o pagamento dos banqueiros ao seu desempenho no longo prazo, adiando os bônus por até cinco anos até que o impacto das ações do banqueiro possa ser verificado.

A proposta também inclui cláusulas de devolução dos bônus e pagamentos em ações, e não dinheiro, para que os indivíduos só se beneficiem se a empresa for bem sucedida.

Gastos

O grupo de ministros também anunciou que vai continuar oferecendo apoio financeiro à economia global, apesar de sinais de recuperação, e concordou em dar aos países emergentes mais espaço no cenário internacional.

Alguns países, incluindo França e Alemanha, queriam que o G20 começasse a discutir "estratégias de retirada", ou seja, maneiras de reduzir os gastos com estímulo fiscal.

Estes países já estão saindo da recessão e argumentam que esses gastos estão levando a níveis perigosos de endividamento do Estado.

Mas na abertura do evento - uma preparação para cúpula do G20 marcada para o fim do mês em Pittsburgh, nos Estados Unidos - o premiê britânico, Gordon Brown, alertou que retirar o apoio dos governos cedo demais pode comprometer a recuperação econômica e disse que isso seria um "grave erro".

O comunicado preliminar indica que essas preocupações foram levadas em conta, já que os ministros concordaram que é melhor continuar gastando até que a recuperação global esteja consolidada.

BRICs

Outro aspecto do comunicado dos ministros trata da representação e do direito de voto dos países emergentes em duas das principais instituições financeiras internacionais, o FMI e o Banco Mundial.

Atualmente, a China tem o mesmo poder de voto da Holanda, por exemplo, apesar da enorme diferença de tamanho entre as duas economias.

A proposta preliminar prevê "um aumento significativo" no poder dos emergentes no cenário internacional.

O rascunho deve agora ser transformado em orientações formais pela Comissão de Estabilidade Financeira, órgão que reúne representantes dos Bancos Centrais e reguladores de várias partes do mundo.

Essas orientações vão ser discutidas e votadas em Pittsburgh, mas cada país terá de decidir individualmente se vai transformá-las em lei.

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