G-20 discutirá crise mundial em cúpula em Washington

Uma cúpula mundial sobre a crise reunirá os países do G-20 em 15 de novembro, perto de Washington, anunciou a Casa Branca nesta quarta-feira, o que não evitou a queda acentuada dos mercados financeiros, enlouquecidos com os sinais claros de recessão.

AFP |

Essa primeira cúpula, à qual os EUA cederam sob pressão dos europeus, reunirá os principais países industrializados e emergentes do mundo (G-20). O objetivo será "discutir as causas da crise financeira", "passar em revista os progressos feitos" para resolvê-la e "desenvolver princípios de reformas necessárias de modo a que não se reproduza", explicou um alto responsável da Administração americana.

A nova ordem mundial que poderá sair dessa cúpula ainda é indefinida.

A UE quer uma reforma profunda do sistema atual, uma espécie de "novo Bretton Woods". Nesse sentido, os europeus propõem uma supervisão mundial dos mercados, que seria confiada ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Reticente quanto à idéia de uma "refundação" do sistema, o presidente americano, George W. Bush, destacou, em diferentes oportunidades, seu apego aos "fundamentos do capitalismo democrático" e à "liberdade dos mercados".

Diante da pior crise desde 1929, europeus e americanos chegaram a um acordo no sábado para reunir uma série de cúpulas internacionais pouco depois da eleição americana de 4 de novembro, para refletir sobre "a refundição" do sistema financeiro internacional.

O anúncio da cúpula não tranqüilizou os mercados, que continuaram seu movimento descendente. A Bolsa de Nova York, em baixa desde a abertura, acelerou suas perdas, com o Dow Jones em queda livre de pelo menos 5,5% e o Nasdaq, de quase 5%, pouco antes do fechamento.

Deprimidas, as Bolsas européias, que ficaram no vermelho durante todo o dia, também despencaram no fechamento: Paris perdeu 5,01%, Frankfurt e Londres, 4,46%.

Madri caiu mais de 8%, influenciada pelo desempenho de grupos espanhóis instalados na Argentina, cujos títulos foram muito afetados pelo projeto de nacionalização do sistema privado de aposentadorias anunciado na terça pela presidente Cristina Kirchner.

Em Buenos Aires, a Bolsa despencava pelo segundo dia consecutivo, perdendo mais de 16% por volta das 15h45 GMT (12h45 de Brasília).

As Bolsas asiáticas também continuaram em dificuldades, com quedas de 6,79%, em Tóquio; 5,20%, em Hong Kong; e 3,20%, em Xangai.

Os mercados sofrem, sobretudo, com a volatilidade das moedas, com as notícias econômicas ruins e com resultados decepcionantes das empresas.

O euro seguiu em queda, enquanto as divergências de abordagem na Europa sobre os remédios para a crise explodiram à luz do dia, depois que a Alemanha rejeitou a proposta do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de criar fundos soberanos nacionais para proteger a indústria contra predadores estrangeiros.

Afetado pela recessão que avança pelo Velho Continente, o euro ficou abaixo de 1,30 dólar, ou seja, uma perda de mais de 20% depois de seu ápice histórico de 1,60 dólar em 15 de julho. A libra britânica também teve seu pior desempenho em mais de cinco anos frente à moeda americana.

Além disso, o mercado duvida da capacidade dos líderes europeus de encontrar uma resposta comum para a recessão - palavra que deixou, aliás, de ser tabu.

"Depois de termos tomado medidas para o sistema bancário, temos de agir, agora, contra a recessão financeira mundial", alertou o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, nesta quarta, na Câmara dos Comuns.

Brown admitiu que já se espera "uma recessão na América, na França, na Itália, na Alemanha, no Japão e, como nenhum país está imune, também na Grã-Bretanha".

O Banco Central canadense considerou que "a economia do globo parece se dirigir para uma leve recessão, provocada por uma economia americana já em recessão".

Na Suíça, os economistas do UBS avaliaram, hoje, que a economia européia entrará "em recessão quase ao mesmo tempo que os Estados Unidos".

Na França, Sarkozy apresenta amanhã suas "medidas de apoio à economia". Ele deve detalhar o plano de 22 bilhões de euros divulgado no início de outubro, visando a prevenir os riscos de dificuldade de crédito das empresas. Os últimos resultados das companhias confirmaram o contágio da crise financeira.

Enquanto todos esperam pela cúpula do G-20 em meados de novembro, o fato é que a crise detonou uma forte atividade diplomática. Em Pequim, na sexta e no sábado, 43 chefes de Estado e de Governo da Europa e da Ásia vão se reunir para uma cúpula da Asem, cujas economias correspondem a pelo menos 60% do PIB mundial.

No encontro, Sarkozy, presidente em exercício da UE, aproveitará para arregimentar China e Índia para seu projeto de "novo Bretton Woods".

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