G20 defende reforma do sistema financeiro global

Na reunião que começa neste sábado em São Paulo, os ministros de Economia e presidentes dos bancos centrais dos países que formam o G20 vão discutir a necessidade de reorganizar o sistema financeiro mundial diante da crise econômica. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, entre as propostas a serem apresentadas pelos países emergentes estará a de que o G20 passe a ser formado por chefes de Estado e deixe de ser um órgão de reflexão, como é hoje, para ter atuação mais direta nas crises.

BBC Brasil |

Outra opção seria ampliar o G7 (grupo que reúne as sete economias mais industrializadas do mundo) de modo a incluir os países emergentes.

"O G7 não representa os emergentes", disse Mantega nesta sexta-feira, véspera do encontro. "É insuficiente para trazer soluções para esses problemas (surgidos com a crise financeira)."

Bric
Mantega participou nesta sexta-feira da primeira reunião formal de ministros da Fazenda dos países que integram o chamado Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China).

Desse encontro preliminar, disse o ministro, surgiu a decisão de que esses países irão coordenar melhor suas ações, estreitar a atuação na política econômica e trocar mais informações.

"Decidimos ter uma ação mais coordenada", disse Mantega.

Uma nova reunião dos ministros do Bric será realizada em fevereiro ou em abril (antes da reunião do FMI).

De acordo com o ministro, os emergentes respondem por 75% do crescimento global e precisam ter voz mais ativa e maior participação na formulação de propostas.

"Nos recusamos a participar do G7 como tomadores de cafezinho", disse Mantega.

De acordo com o ministro, "pela gravidade da crise", as próprias economias avançadas têm demonstrado disposição maior de permitir a participação dos emergentes.

Recessão
A crise surgida nos Estados Unidos e na Europa se espalhou pelo mundo, contagiou os emergentes e, segundo o ministro, demonstrou a necessidade de reformar o sistema financeiro.

"Me parece inevitável que haja recessão nos Estados Unidos, na Europa e no Japão", disse Mantega. "É importante estancar esse processo para que não atinja os emergentes."
No caso do Brasil, apesar da crise o ministro disse que o objetivo do governo é perseguir para 2009 um crescimento do PIB em torno de 4%. "Acho que é possível", afirmou.

Segundo o ministro, a crise mostrou que as instituições que controlam o sistema financeiro internacional "falharam", e por isso precisam ser reformuladas.

Mantega disse que são necessárias regras mais claras, maior fiscalização e medidas para minimizar o impacto da retração de crédito e da evasão de capital.

Em um comunicado divulgado ao fim da reunião, os ministros dos Bric afirmaram que as reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial devem ir adiante.

"Ainda somos dirigidos e controlados por instituições que refletem a situação dos anos 40", disse. "O mundo mudou."
Segundo Mantega, será necessário "um novo Bretton Woods" (cidade americana que foi cenário das negociações que culminaram na criação do FMI e do Banco Mundial, em 1944).

Mantega disse que esse encontro seria realizado provavelmente em outro lugar, mas teria o mesmo significado.

Obama
As propostas que serão discutidas neste sábado e domingo deverão ser levadas ao encontro de chefes de Estado do G20 marcado para o dia 15, em Washington.

"O que for discutido servirá de subsídio para que os chefes de Estado formulem propostas", disse Mantega.

Conforme o ministro, a partir do encontro na capital americana deverão ser formados grupos de trabalho para detalhar as propostas.

Segundo Mantega, "até o momento está havendo uma grande convergência, não só entre os países emergentes, mas também entre os avançados", tanto no diagnóstico da crise quanto em propostas.

O ministro afirmou ainda que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, terá "mais legitimidade" para colocar em prática novas políticas econômicas, "sejam elas simpáticas ou antipáticas".

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