G20 concorda sobre reforma financeira, mas diverge sobre taxação de banco

Apesar do consenso sobre a necessidade de reformar o sistema financeiro internacional, os países do G20 divergem sobre detalhes desse processo, principalmente em relação à proposta de taxação para bancos, disse nesta sexta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Todos concordam, mas fazendo uma diferenciação entre reformas nacionais e uma reforma mais geral, disse Mantega, em Washington, após a reunião de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 (grupo que reúne países ricos e em desenvolvimento).

BBC Brasil |

"Onde há mais divergência é na questão da taxação", afirmou.

Segundo o ministro brasileiro, os quatro países do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) têm a mesma posição sobre a questão da taxação: a de que poderia ser aplicada em alguns países, mas não em seus próprios sistemas financeiros.

"Os Brics têm a mesma posição", disse Mantega. "Que a taxação é mais adequada para economias que tiveram prejuízos financeiros pela atuação dos bancos ou das instituições financeiras. Nós não tivemos isso."
"Nossos sistemas financeiros reagiram de forma diferente. A crise não foi originada nos nossos sistemas financeiros, estávamos trabalhando de forma mais sólida, com menos alavancagem, não entramos no subprime ou naquelas operações de risco", afirmou.

Circunstâncias individuais
A ideia da taxação foi apresentada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) aos representantes do G20 e prevê que bancos e outras instituições financeiras paguem novos impostos, com o objetivo de garantir recursos para financiar eventuais pacotes futuros de resgate, como os que muitos governos tiveram de liberar durante a crise econômica mundial, e também de restringir os riscos assumidos por essas instituições, o que ajudaria a prevenir novas crises.

Segundo Mantega, a taxação é "insistência de alguns países, como Reino Unido e Estados Unidos".

"Nós não precisaríamos", disse o ministro, ao afirmar que alguns países, como o Brasil, já têm uma certa forma de taxação maior sobre o capital financeiro.

No comunicado final divulgado após a reunião de Washington, o G20 pede que o FMI trabalhe por alternativas "para garantir que instituições financeiras domésticas arquem com a responsabilidade de qualquer intervenção governamental extraordinária que venha a ocorrer".

Pedem, porém, que sejam levadas em consideração "as circunstâncias individuais de cada país".

Recuperação
O comunicado do G20 afirma que a recuperação global está melhor do que o previsto anteriormente, mas ainda segue em ritmos diferentes em cada região e apresenta problemas, como as altas taxas de desemprego em muitos países.

"Nós reconhecemos que, diante dessas circunstâncias, são necessárias diferentes respostas", diz o texto, ao afirmar que as políticas de apoio devem ser mantidas em economias em que o crescimento ainda permanece muito dependente dessas medidas, até que a recuperação esteja firmemente liderada pelo setor privado.

A reforma no sistema financeiro internacional é considerada crucial para evitar a ocorrência de novas crises. Segundo Mantega, "as instituições financeiras estão voltando a seus comportamentos anteriores à crise, como se nada tivesse acontecido, voltando a fazer operações de risco".

Mantega disse ter sugerido que o G20 já tenha uma proposta final de reforma em junho, quando os chefes de Estado e de governo do grupo se reunirão em Toronto, no Canadá.

Além da reforma mais ampla, países emergentes, como o Brasil, também vêm pressionando por reformas do FMI e no Banco Mundial, para que possam ter mais poder de decisão nessas instituições.

No FMI, deverá haver uma mudança na divisão de cotas, com a transferência de 5% das cotas de países ricos "super-representados" no Fundo para países "sub-representados".

"A reestruturação do FMI está andando mais depressa do que imaginávamos. Já começaram as discussões em torno de como vamos distribuir os 5%", disse Mantega. "Acho que poderemos ter a reforma pronta até novembro deste ano."

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