G20 concorda em concluir Rodada de Doha antes do fim do ano

Os presidentes do G20, reunidos neste sábado em Washington, concordaram em impulsionar a busca por um consenso antes do fim do ano para a conclusão bem-sucedida da Rodada de Doha, que trata da liberalização do comércio internacional na Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo o comunicado oficial divulgado ao fim da cúpula.

AFP |

O objetivo do encontro na capital americana era buscar soluções para a crise financeira global, e uma das opções apontadas pelos líderes do G20 foi a conclusão da Rodada de Doha, após o fracasso das últimas negociações, em julho.

"Lutaremos para alcançar um acordo ainda este ano para os temas que levem a uma conclusão bem-sucedida da agenda de Doha na OMC, com um resultado ambicioso e equilibrado", indicaram os presidentes dos países membros no comunicado conjunto.

Os "temas" são os mecanismos para reduzir taxas alfandegárias e subsídios, sobre os quais a OMC tenta estabelecer números e prazos concretos.

Os líderes do grupo se declararam "prontos para ajudar diretamente, caso necessário", na busca por estes acordos, uma postura que já havia sido assumida antes pelo Brasil, que atualmente ocupa a presidência rotativa do G20 financeiro.

A Rodada de Doha é importante "não apenas pelo que vai trazer, mas também pelo que pode acontecer caso não seja concluída", alertou o chanceler brasileiro, Celso Amorim, neste sábado.

"A conclusão da Rodada de Doha (cujo objetivo é reduzir as taxas alfandegárias do comércio no mundo) é talvez o melhor sinal de que os países estão comprometidos a tomar medidas que vão no sentido contracíclico, de estimular as economias", estimou.

"Chegamos muito perto em julho, sem nenhuma pressão a não ser a própria pressão do mecanismo negociador", disse o ministro brasileiro. Por outro lado, continuou, "hoje temos uma pressão muito forte, e espero que não seja apenas dos líderes, mas também da opinião pública internacional".

As discusões de julho deste ano na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, fracassaram quando Índia e Estados Unidos não conseguiram se entender a respeito de medidas de proteção para países baseados na agricultura familiar.

Os presidentes e chefes de governo destacaram que medidas protecionistas devem ser evitadas acima de tudo neste período de crise.

"Ressaltamos a importância de rejeitar o protecionismo e de não nos voltarmos para dentro numa época de incerteza financeira", indicaram no comunicado final.

"Em relação a isso, nos próximos 12 meses nos absteremos de levantar novos obstáculos contra o investimento e o comércio de bens e serviços, de impor novas restrições às exportações e de implementar medidas incoerentes com a OMC para estimular as exportações", afirmaram os líderes.

mr/ap

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