Fuzileiros dizem que fazem avanços constantes no Afeganistão

Por Golnar Motevalli MARJAH, Afeganistão (Reuters) - Os fuzileiros navais norte-americanos estão fazendo avanços constantes em uma das maiores ofensivas lançadas pela Otan no Afeganistão desde que a guerra começou em 2001, mas as áreas infestadas com bombas plantadas em estradas dificultam seus avanços, disse um porta-voz na segunda.

Reuters |

A ofensiva é o primeiro teste do plano do presidente americano Barack Obama de enviar 30 mil soldados adicionais para tomar as áreas sob controle dos insurgentes, antes de uma retirada parcial das tropas planejada para 2011.

"Estamos fazendo progressos constantes, mas agindo de modo muito metódico na detecção e limpeza de caminhos, numa área fortemente saturada de IEDs (Artefatos Explosivos Improvisados)", disse à Reuters o capitão dos fuzileiros navais Abraham Sipe, em resposta a um e-mail, acrescentando que não serão fornecidos números relativos aos militantes mortos ou capturados.

Autoridades afegãs disseram no domingo que até 35 militantes foram mortos nos dois primeiros dias da ofensiva.

"Em muitas partes de Marjah temos encontrado pouca oposição. Há áreas em que os marines encontraram resistência acirrada, mas eles estão fazendo avanços constantes", disse Sipe.

As autoridades afegãs disseram que houve alguns combates.

"Houve combates na noite de ontem, e ainda estão ocorrendo choques esporádicos em Marjah. O inimigo sofreu baixas", disse Ghulam Mahaiuddin Ghori, general sênior do exército afegão em Helmand.

PROGRESSOS INICIAIS

O Afeganistão é uma das questões de política externa mais importantes para Obama, de modo que falhas nesse país podem ser vistas como prejudiciais à sua presidência.

Boa parte do êxito da operação em Helmand depende de a administração conquistar a confiança da população local, e é preciso que as tropas afegãs consigam evitar que o Taliban retorne à região.

A credibilidade da Otan e do governo afegão depende de serem limitadas as baixas civis, especialmente porque os comandantes da Otan ordenaram à população de Marjah que ficasse em casa durante a ofensiva.

Destacando os perigos do combate a um inimigo imprevisível e com grande capacidade de resistência, o governador da província de Helmand, Gulab Mangal, disse que três suicidas foram abatidos a tiros no domingo no momento em que tentavam detonar explosivos presos a seus corpos, no meio das tropas.

Não foi possível obter declarações do Taliban na segunda-feira.

Mas, em declaração feita no 20o aniversário da retirada das tropas soviéticas derrotadas do Afeganistão, depois de quase uma década enfrentando combatentes mujahedines que contavam com o apoio do Ocidente, o Taliban disse:

"Como aconteceu com o Exército Vermelho, os ocupantes atuais do Afeganistão serão derrotados."

"Vinte anos após a derrota do Exército Vermelho, hoje Obama, também no Afeganistão, deu prazo de um ano e meio ao comandante dos invasores estrangeiros (o comandante da Otan, o general americano Stanley) McChrystal, para derrotar o Emirado Islâmico."

(Reportagem adicional de Sayed Salahuddin e Michael Georgy, em Cabul)

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