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Futuro presidente dos EUA deve ser amigável com A.Latina, diz analista

Madri, 19 mai (EFE).- O próximo presidente dos Estados Unidos deveria adotar uma postura amigável e de colaboração com os países latino-americanos como o Chile e o Brasil e ignorar àqueles que querem se transformar em seus demônios, disse hoje o analista político americano Joseph Nye.

EFE |

Em uma conferência na Casa de América de Madri, chamada: "A liderança e a política externa dos EUA", Nye defendeu uma administração que aposte em "atração e não coação" como instrumento de relação com seus vizinhos do sul.

Em presença do secretário-geral da Presidência do Governo espanhol, Bernardino León, o professor de Harvard (EUA) e ex-assessor dos presidentes democratas Jimmy Carter e Bill Clinton expôs sua teoria do "poder brando" como o princípio que deve regular a política externa americana.

O "poder brando" é tudo o que se contrapõe ao "poder duro" que caracterizou a gestão exterior do presidente atual, George W. Bush, e que tem como eixo de ação a força militar.

Frente à "militarização da política externa", Nye considerou que as iniciativas de diálogo, de impulso de políticas educativas ou de incentivo do desenvolvimento econômico (o "poder brando") são a maneira de recuperar a imagem dos EUA no mundo.

Nye cunhou este termo em 1990 e hoje explicou durante um evento organizado pelo Real Instituto Elcano que "o poder brando não servirá para acabar com Osama bin Laden, mas sim para ganhar os corações do povo ao qual se dirige Osama bin Laden".

O analista político, um dos mais influentes do mundo acadêmico e midiático internacional, explicou que também são necessárias certas doses de "poder duro" e que dessa combinação, com o "poder brando", nasce o "poder inteligente" que precisa ser exercido pelo próximo inquilino da Casa Branca, após as eleições de novembro próximo.

"O grande erro de Bush foi transformar de maneira radical a política externa dos EUA e exportar o medo após os atentados de 11 de setembro de 2001", disse Nye, acrescentando que o Governo de Bush, no terreno da política externa, careceu de um elemento fundamental: "a inteligência contextual".

Em sua opinião, tudo parece indicar que serão o democrata Barack Obama e o republicano John McCain que finalmente disputarão a Presidência, e manifestou que ambos "são pessoas honoráveis", que terão a capacidade de realizar uma mudança radical à política de Bush.

O próximo presidente, disse, deveria restaurar as alianças com as instituições multilaterais, dar prioridade ao desenvolvimento econômico, ter uma relação mais estreita com a sociedade civil, promover um sistema econômico internacional aberto, favorecer a segurança energética e tomar a liderança sobre a mudança climática.

Além disso, declarou, deveria tomar medidas simbólicas no início de seu mandato para enviar a mensagem de que "não será prisioneiro do passado", entre as que citou o fechamento do campo de detenção de Guantánamo (Cuba) e uma maior preocupação com o meio ambiente.

Nye ressaltou a longa experiência de McCain em política externa, frente a um "novato" Obama, mas se declarou "impressionado" pela capacidade do senador democrata para conduzir situações complicadas durante a campanha para a nomeação.

Destacou também que Obama é uma pessoa "cheia de experiências", com raízes africanas e americanas, criado na Indonésia, com bagagem intelectual e universitária, e com conhecimento da realidade após trabalhar com gente pobre em um bairro periférico de Chicago. EFE fpb/fb

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