Futuro político de Fujimori sofre revés; justiça ratifica prisão de 6 anos

O ex-presidente Alberto Fujimori foi proibido de se candidatar às próximas eleições do Peru, em 2011, depois que a Suprema Corte do país confirmou em última instância a condenação a seis anos de prisão, até 2013, por ter ordenado uma revista ilegal em uma residência no final de seu governo.

AFP |

Na sentença, a Segunda Sala Penal Especial do tribunal máximo peruano decidiu por unanimidade ratificar o veredito de dezembro do ano passado, que julgou o réu culpado por usurpação de funções em agravo ao Estado.

Fujimori, de 69 anos, é o primeiro ex-chefe de Estado na história do Peru a receber uma sentença condenatória por um crime cometido durante seu mandato (1990-2000).

A perspectiva para Fujimori pode se tornar ainda mais sombria, caso a estes seis anos de prisão sejam somados outros 30, solicitados pela promotoria no processo que corre atualmente na justiça peruana, no qual o presidente é acusado por violação dos direitos humanos durante o período em que governou o país.

A sentença constitui um duro golpe nas aspirações de Fujimori, que abandonou o auto-exílio de cinco anos no Japão e viajou em novembro de 2005 para o Chile a fim de preparar sua volta ao Peru, com o objetivo - segundo declarou o próprio ex-presidente - de tentar se reeleger.

Entretanto, a justiça chilena aceitou um pedido de extradição enviado por magistrados peruanos, e repatriou Fujimori em setembro do ano passado para Lima.

A resolução confirmatória da Suprema Corte toma como plenamente provada a responsabilidade do ex-governante ao ordenar a um oficial do exército que usurpasse a função própria de um fiscal para revistar a casa de Trinidad Becerra, mulher de Vladimiro Montesinos, que foi o braço direito de Fujimori durante seu mandato.

A revista foi feita nos primeiros dias de novembro de 2000, quando o regime fujimorista desmoronava em meio a um escândalo protagonizado por Montesinos, que liderava uma rede de corrupção acobertada pelo governo.

Na incursão ilegal, Fujimori se apoderou de vídeos, malas e documentos que levou em sua fuga para o Japão, de onde enviou um fax renunciando à presidência em novembro de 2000.

Acredita-se que a operação foi realizada principalmente para recuperar vídeos que supostamente mostrariam o ex-presidente comprometido em atos de corrupção, já que havia uma suspeita de que Montesinos estivesse filmando suas reuniões com câmeras escondidas para em seguida chantagear figuras da política peruana.

Saiba mais sobre: Fujimori

    Leia tudo sobre: fujimori

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG