Futuro do PIB depende de reformas, dizem analistas

O crescimento de 5,8% do PIB brasileiro, registrado no primeiro trimestre deste ano, pode ser sustentável, mas isso dependerá de reformas estruturais e mais investimentos. Essa é a avaliação de especialistas nos Estados Unidos, ouvidos pela BBC Brasil, para quem o Brasil precisa agir e combater suas deficiências para manter o bom momento no longo prazo.

BBC Brasil |

Riordan Roett, diretor do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade John Hopkins, de Washington, diz que o segredo para um futuro de crescimento constante está em "mudanças estruturais".

Ele lembra que a avaliação das agências de risco tem ressaltado que os brasileiros precisam investir nessas mudanças para conseguir manter o nível de crescimento.

"Entre elas, reorganizar o sistema fiscal, investir em infra-estrutura para tornar a exportação mais eficiente e se aumentar a competitividade de seus preços", disse Roett.

"As agências de classificação dão as suas notas a partir de como o Brasil pode pagar sua dívida externa. Mas elas também apontam que o governo tem muito o que fazer no que diz respeito a reformas estruturais."
Ele afirma que, caso isso seja feito, aliado aos investimentos necessários sejam feitos, "um crescimento de cerca de 5.8% pode ser sustentável".

Roett destaca que, a partir do próximo trimestre, o Brasil deve se beneficiar dos investimentos de fundos de pensão e de fundos de investimento abertos vindos do exterior, inclusive dos Estados Unidos.

"O Brasil acaba de receber o "investment grade" [classificação concedida pelas agências de risco aos países com baixo risco de calote] e deve ver dinheiro entrando durante os próximos um ou dois anos", afirmou o especialista. "Esses fundos não eram opções no passado."
O crescimento do PIB do Brasil deveria ser ainda maior, na opinião do historiador e brasilianista Thomas Skidmore, que o compara a países como Índia e China.

Segundo ele, um dos problemas é a taxa de investimento, de 18% do PIB, que para ele ainda não é o suficiente. "Precisaria ser pelo menos 20%. Tanto o setor privado como o setor público deveriam investir mais."
Commodities
Roett acredita que o setor de commodities deve continuar com bons resultados. Para ele, as exportações devem manter seu papel central no bom momento econômico brasileiro.

"Os preços das commodities brasileiras estão extremamente competitivos no mercado global", afirmou. "E a descoberta de novas fontes de gás natural e petróleo reforça sua capacidade de atração para prospectos de desenvolvimento futuro."
Além destas, Roett cita ainda o peso da previdência social e os custos da aposentadoria como outras mudanças que o Brasil deve resolver.

"Eles são uma parte muito cara do orçamento nacional. Essas reformas são a chave para a manutenção do crescimento", alertou o especialista.

Thomas Skidmore elogia o desempenho do setor agrícola. Mas ele afirma que o crescimento brasileiro "não pode depender tanto assim na agricultura".

Economias
De acordo com Skidmore, o governo tem obtido muito sucesso em criar uma economia de alto consumo, mas é preciso aumentar as reservas para poder ter fundos para investimentos. "Se você economiza pouco, não sobra para investimentos."
Segundo ele, talvez seja necessário baixar o nível consumo para aumentar as reservas. No entanto, Skidmore ressalta que "as pessoas não querem fazer isso porque gastar bastante lhes dá a sensação de viver numa economia mais forte."
Além do aumento de reservas, Skidmore propõe aumentar a produtividade e investir em tecnologia. "A produtividade brasileira é medíocre se comparada às economias do leste asiático."
"A substituição de homens por máquinas aumentaria a mão de obra disponível, mas os investimentos em educação tem sido tão baixos que essa mão de obra não é qualificada. E portanto é preciso também investir em educação para aumentar a eficiência e a produtividade."

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