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Futuro de Palin estará em jogo no debate de amanhã, dizem analistas

César Muñoz Acebes. Saint Louis (EUA), 1 out (EFE) - Sarah Palin recebe hoje instruções da cúpula do Partido Republicano para enfrentar, amanhã, o democrata Joe Biden no debate de candidatos a vice-presidente dos Estados Unidos, no qual a governadora do Alasca colocará seu futuro em jogo. Esta é sua última oportunidade. Se não fizer bem, a imagem dela como mulher de pouco peso será tão forte que não será capaz de revertê-la antes das eleições de 4 de novembro, declarou à Agência Efe Michael Leff, professor de comunicação da Universidade de Memphis.

EFE |

Poucos teriam imaginado, um mês atrás, que Palin se encontraria em uma situação tão frágil às vésperas deste debate na Universidade de Washington em Saint Louis, no Missouri.

A candidata à vice-presidente republicana saiu da Convenção Nacional do partido com a imagem de uma mulher inteligente, graças a um discurso brilhante que avivou as bases da legenda e atraiu muitos independentes, principalmente as mulheres.

Na época, especulava-se inclusive que Palin, um rosto novo, atraente e afastado de Washington, poderia ofuscar a figura de John McCain, a cabeça da chapa republicana para a Casa Branca.

Sua campanha tentou manter o mito de Palin, e não a expôs a coletivas de imprensa ou a sessões de perguntas e respostas com os eleitores. A candidata à vice-presidente concedeu apenas três entrevistas na televisão e tem ido de mal a pior.

Na última, à rede de televisão "CBS", Palin mostrou algumas lacunas de conhecimento e deu respostas incompreensíveis que se transformaram em material de valor inestimável para os comediantes americanos.

Ela afirmou, por exemplo, que a proximidade do Alasca com a Rússia lhe dava experiência política, e foi incapaz de citar uma vez, durante os 25 anos de McCain no Congresso, em que seu companheiro de chapa tenha aprovado uma lei em favor de maior regulação em Wall Street.

"Ela está claramente em uma espiral para baixo. A questão é se pode romper essa tendência", afirmou Michael Pfau, professor de comunicação da Universidade de Oklahoma.

Para Biden, o debate representa um desafio diferente, pois deverá ter muito cuidado no trato com Palin, por se tratar de uma mulher, segundo os analistas.

A campanha de McCain é muito consciente da relação às vezes conflituosa entre homens e mulheres na sociedade, e, perante as primeiras objeções à escolha de Palin como candidata à vice-presidente, acusou os críticos de sexismo.

"É possível que Biden tente se conter e não atacar, para que não pareça que está sendo mau com uma pobre mulher", afirmou Bill Benoit, professor da Universidade do Missouri especializado em debates presidenciais.

O único precedente do debate de amanhã foi o realizado pelos candidatos a vice-presidentes em 1984 entre a democrata Geraldine Ferraro e o republicano George H. W. Bush, no qual este foi considerado excessivamente agressivo.

Quanto à consistência da mensagem, Biden tem uma clara vantagem, pois, com 32 anos no Senado, conhece muito bem o funcionamento do Governo e é um especialista em política externa. No entanto, tem uma facilidade assustadora para errar em detalhes.

Recentemente, Biden disse que, em 1929, Franklin Roosevelt fez um pronunciamento ao país pela televisão para explicar a forte queda da Bolsa de Valores de Nova York. Naquela época, a televisão ainda não existia e o presidente era Herbert Hoover. Roosevelt chegou à Casa Branca apenas em 1933.

Esses erros não poderiam acontecer, pois se espera muito dele, ao contrário de Palin.

"As expectativas quanto a ela são tão reduzidas que se simplesmente comparecer e unir as frases de maneira coerente, já as terá superado", destacou Pfau.

O fato de as expectativas em torno de Palin estarem tão baixas a beneficia, como também o formato do debate, que diminui as oportunidades de os candidatos falarem um com o outro.

A campanha de McCain insistiu nessa mudança, que permitirá a Palin utilizar respostas preparadas com antecedência.

Hoje, no rancho de McCain em Sedona (Arizona), as melhores mentes republicanas tentam inculcar esse material em Palin, que está como uma aluna que estuda desesperadamente às vésperas de uma prova.

A campanha republicana talvez esteja sonhando com um resultado excelente, mas provavelmente deve se contentar com uma simples aprovação. EFE cma/wr/db

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