Futuro da UE passa por teste nas urnas de Irlanda e R.Tcheca

Bruxelas, 5 jun (EFE).- Irlandeses e tchecos comparecem hoje às urnas para escolher seus deputados para o Parlamento Europeu, em um dia tido como um grande teste para o futuro da integração europeia dado o ceticismo dos dois países em relação à ratificação do Tratado de Lisboa.

EFE |

O acaso fez coincidir o dia da votação nos dois países dos quais o destino do acordo depende de forma mais imediata. Por isso, Irlanda e República Tcheca têm em suas mãos o futuro da reforma institucional da União Europeia (UE).

As eleições, cujos resultados não serão divulgados até a noite de domingo, se apresentam em ambos os países, em parte, como um plebiscito a favor ou contra a Europa.

No caso da Irlanda, o pleito desta sexta-feira será um teste para o plebiscito sobre o Tratado de Lisboa que o Governo deve convocar em outubro para tentar levar adiante o texto que os irlandeses rejeitaram em 2008.

Já a República Tcheca - que preside a UE neste semestre - vive sob um Governo de perfil tecnocrata após a queda do Executivo de centro-direita do ex-primeiro-ministro Mirek Topolanek. O tratado ainda não recebeu a assinatura do presidente do país, Vaclav Klaus, reconhecidamente cético quanto a assuntos relacionados à UE.

O futuro da Europa foi uma constante nas campanhas nos dois países, especialmente por meio do novo partido pan-europeu Libertas.

Criada pelo empresário irlandês Declan Ganley - um dos artífices da campanha do "não" ao Tratado de Lisboa na ilha -, a legenda pretende conseguir algum representante nos dois países, embora as pesquisas sugiram o contrário.

De qualquer forma, o Libertas fez muito barulho durante os meses anteriores às eleições, fazendo com que o pleito desse bastante trabalho à classe dirigente europeia.

Ao mesmo tempo, as eleições parlamentares europeias terão um importante componente nacional nas duas nações.

Na Irlanda, os eleitores também têm que renovar os Governos locais e cobrir duas cadeiras que ficaram vagas recentemente no Parlamento nacional.

Além disso, há a expectativa de um "voto punitivo" contra o Governo do primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, cuja atuação diante da profunda crise econômica sofrida pelo país deve ter resposta nas urnas.

Apesar de as pesquisas para as eleições locais prevejam uma queda histórica de votos para o partido governante Fianna Fáil, não se prevê uma grande mudança na distribuição de cadeiras no Parlamento Europeu.

Na República Tcheca, em crise política após a queda do Governo por uma moção de censura, o pleito europeu aparece como uma preparação para as eleições gerais marcadas para outubro.

Segundo as pesquisas de opinião, os social-democratas da oposição lideram, seguidos de perto pela legenda de Topolanek, o ODS.

Os eurodeputados que vierem a ser eleitos por este partido serão protagonistas nos primeiros meses de legislatura, já que, junto aos conservadores de Reino Unido e Polônia, tentarão constituir um novo grupo parlamentar no Parlamento Europeu, de perfil contrário ao Tratado de Lisboa.

A participação eleitoral em território tcheco, onde as urnas continuarão abertas amanhã, deverá ser muito baixa - segundo as pesquisas, ficará na faixa de 30%, cifra próxima aos 28,3% registrados nas últimas eleições parlamentares europeias, há cinco anos.

Na Irlanda, por outro lado, a coincidência com as eleições locais deve impulsionar o comparecimento às urnas.

Em 2004, 58,58% dos irlandeses votaram no pleito para o Parlamento Europeu, uma participação alta levando em conta que, nas duas últimas eleições nacionais, este índice ficou entre 60% e 70%.

Em outros países da UE, como Dinamarca ou Holanda, a participação nas votações europeias costuma ser de até 50% a menos do que nos pleitos gerais. EFE mvs/bba

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