Futuro da presença da Otan no Afeganistão segue incerto

Bruxelas, 3 dez (EFE).- Uma parte dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reivindicaram hoje um plano de ação para transformar em resultados concretos a estratégia da aliança no Afeganistão.

EFE |

A idéia, compartilhada por apenas alguns dos membros da organização, ainda precisa ser discutida, já que conta com divergências sobre alguns pontos.

O chanceler espanhol, Ángel Moratinos, por exemplo, diz que o plano não deveria envolver o envio de mais soldados, mas sim "ver o que não funciona para o sucesso do projeto".

No entanto, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, pediu mais tropas da organização durante a reunião de chanceleres realizadas ontem e hoje em Bruxelas. Na atualidade, há 51.350 soldados de 41 países no Afeganistão.

Tanto Moratinos como o secretário-geral participarão da conferência internacional convocada para o próximo dia 14 de dezembro em Paris, que buscará analisar vias de estabilização e desenvolvimento do Afeganistão, junto a seus países vizinhos.

Moratinos recebeu o convite do chanceler francês, Bernard Kouchner, que organizará o dito encontro, durante a reunião de ministros de Assuntos Exteriores de países da Otan.

Fontes diplomáticas disseram que, em linha com essa idéia de Moratinos, se manifestaram países como Itália, França e Reino Unido.

Fora isso, hoje os aliados reiteraram que "não há uma solução apenas militar no Afeganistão" e que, por isso, deve-se redobrar o esforço civil e de formação das forças de segurança locais, assim como a colaboração com o Governo, os municípios e as tribos.

No comunicado sobre as conclusões da reunião ministerial, os aliados consideram fundamental para o futuro do Afeganistão o desenvolvimento das eleições presidenciais de 2009, e as parlamentares de 2010.

Por essa razão, expressaram sua intenção de colaborar na segurança do processo "inclusive com o desdobramento temporário de forças adicionais".

Quanto ao problema da pirataria no Golfo de Áden, a Otan deu boas-vindas ao projeto da União Européia (UE) de desdobrar uma força naval no próximo dia 8, como confirmou o alto representante para Política Externa e Segurança Comum do bloco europeu, Javier Solana.

A discussão dentro da Otan sobre a possibilidade de estender a missão que atualmente tem desdobrada para escoltar navios do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas segue sem se concretizar, explicou Scheffer.

"Acho que ainda há muito a ser feito para toda a comunidade internacional, incluindo a Otan", disse o secretário-geral sobre o desafio que representa os ataques contra navios no Golfo de Áden.

Na agenda de hoje dos chanceleres se incluíam reuniões com ministros ucraniano e georgiano, que apresentaram uma alternativa ao Plano de Ação para a Adesão (MAP), passo prévio à entrada na Otan que foi negado a essas duas nações.

No entanto, os ministros de Assuntos Exteriores dessas duas repúblicas ex-soviéticas, a georgiana Eka Tkeshelashvili e o ucraniano Vladimir Ogrizko, expressaram publicamente seu agradecimento à aliança e consideraram um sucesso o estabelecimento de uma comissão para aprofundar as relações bilaterais.

Nas conclusões da reunião, os aliados asseguram que essas duas comissões são abertas "sem prejuízo de posteriores decisões sobre o MAP", o que para Moratinos significa "claramente" que é um passo que não poderá ser pulado.

Os Estados Unidos estão empenhados em que Geórgia e Ucrânia entrem na Otan, mas países como Alemanha, França, Espanha e Itália consideram isso prematuro, sobretudo levando em conta o enfrentamento diplomático representaria para Rússia, e o conflito bélico no qual Tbilisi entrou em agosto passado. EFE met/rr

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