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Furacões destroçam economia cubana após chegada de Raúl Castro ao poder

Antonio Martínez. Havana, 20 dez (EFE).- Três furacões prejudicaram em 2008 a já muito precária economia cubana ao provocarem danos de até US$ 10 bilhões, em um ano em que também ganharam destaque na ilha a renúncia de Fidel Castro, após meio século no poder, e a nomeação de seu irmão caçula Raúl para sucedê-lo.

EFE |

A pior temporada de furacões registrada por Cuba em décadas destruiu total ou parcialmente meio milhão de casas, milhares de edifícios públicos, reservas de alimentos, redes de telecomunicações e de energia elétrica, cultivos, pontes, estradas e outras infra-estruturas.

Sete pessoas morreram e dezenas ficaram feridas quando o segundo dos furacões, chamado "Ike", percorreu a ilha a partir do oeste entre 7 e 9 de setembro.

Uma semana antes, em 30 de agosto, o ciclone "Gustav" já havia cruzado o extremo oeste do país, sem, no entanto, causar mortes.

Também não foram registradas vítimas fatais por culpa do terceiro furacão, o "Paloma", que perdeu intensidade de forma surpreendente ao chegar ao leste da ilha em 8 de novembro.

O trabalho árduo da Defesa Civil cubana, órgão que ordena e garante o rápido cumprimento de evacuações das zonas em risco de inundações ou deslizamentos de terra, evitou maiores desgraças, em contraste com o cenário vivido no vizinho Haiti.

As autoridades cubanas culparam as próprias vítimas por suas mortes, por não terem acatado as instruções do Governo.

Um comunicado oficial assegurou que os sete mortos perderam suas vidas "não só como conseqüência direta" do segundo e mais violento dos furacões, mas também pela "falta de atenção rigorosa às orientações da Defesa Civil".

Os furacões agravaram a já preocupante situação alimentícia de Cuba, país que importa mais de 80% dos mantimentos consumidos por seus 11,3 milhões de habitantes, e aguçou sua penúria econômica, à qual se somam neste fim de ano os efeitos da crise financeira internacional.

A escassez de imóveis, alimentos e meios de transporte, entre outros bens, assim como a deterioração de serviços como educação e saúde, bandeiras clássicas da Revolução Cubana, têm sido sentidas pelos moradores da ilha há pelo menos duas décadas, quando houve a queda da antiga União Soviética.

No entanto, os problemas vêm de antes. Desde 1962, uma cartilha de racionamento que cobre menos da metade das necessidades básicas dos cubanos rege o país, os edifícios se desmoronam sem necessidade de furacões, grande parte da população sobrevive no mercado negro, o Governo sofre com apertos de liquidez e as dívidas acumulam atrasos em seus pagamentos.

Agora, como se não bastasse, a crise mundial afeta as exportações de níquel, o turismo e as remessas estrangeiras dos cubanos que deixaram a ilha, três das maiores fontes de divisas do país.

Tudo isso ocorreu em um momento em que o novo presidente, de 77 anos, anunciava reformas estruturais para reativar a economia, sobretudo no caso da produção agropecuária.

O general Raúl Castro foi eleito pela Assembléia Nacional (Parlamento) em 24 de fevereiro, cinco dias depois de seu irmão Fidel, de 82, ter anunciado que deixava seus cargos após 49 anos e 55 dias no poder.

Fidel, que celebrará em 1º de janeiro os 50 anos do triunfo da Revolução Cubana, teve uma crise intestinal em julho de 2006 que o levou várias vezes à sala de cirurgia, o obrigou a delegar poderes para seu irmão caçula e fez com que não aparecesse em público desde então.

O novo líder anunciou reformas estruturais e a eliminação do excesso de proibições impostas aos cubanos, mas as medidas aplicadas foram poucas e de efeitos reduzidos.

O Governo liberalizou a venda de telefones celulares, computadores, aparelhos de TV e panelas elétricas, entre outros produtos, e abriu os hotéis do país aos cidadãos comuns da ilha - embora estes tenham de pagar esses luxos em moeda estrangeira e a preços exorbitantes, já que ganham em média US$ 17 por mês.

A reforma de maior repercussão foi a que marca a entrega de terras ociosas em usufruto a camponeses, cooperativas e organizações com capacidade de produzir alimentos, enquanto tudo segue sem grandes alterações no que diz respeito a liberdades civis e direitos humanos.

Os irmãos Castro e os meios de comunicação da ilha, oficiais sem exceção, continuam culpando por todas as calamidades o bloqueio comercial e financeiro aplicado pelos Estados Unidos desde 1962.

Todos aguardam esperançosos na ilha a chegada oficial ao poder do próximo inquilino da Casa Branca, Barack Obama. EFE am/fr

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