Por Patrick Markey NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Os recentes furacões que devastaram o Haiti mataram centenas de pessoas e destruíram anos de progresso na frágil economia do país mais pobre da América, disse o presidente René Preval na sexta-feira.

Cerca de 700 pessoas morreram quando as tempestades tropicais Fay e Hanna e os furacões Gustav e Ike passaram pelo país, em apenas algumas semanas.

"Os danos causados pela passagem desses quatro furacões em menos de dois meses atrasaram o Haiti em vários anos", disse Preval à Assembléia-Geral das Nações Unidas, em Nova York.

A ONU diz que o governo do Haiti e sua missão de paz estão sobrecarregados pelas dimensões do desastre no país, onde muitos dos 9 milhões de habitantes vivem com menos de 2 dólares por dia.

A crise ameaça os esforços do presidente para fortalecer as instituições democráticas e a estabilidade no Haiti, que, desde a independência em relação à França, há mais de 200 anos, passou por várias revoltas.

Em abril, o aumento dos preços dos alimentos gerou combates violentos nas ruas, o que derrubou o governo.

A ONU pediu 108 milhões de dólares em doações para o Haiti e Preval pediu que os esforços de reconstrução durem ainda mais, os quais iriam além do alívio dos problemas com abastecimento de comida e solução de desastres.

"Temos de quebrar esse paradigma de caridade em nossa abordagem por cooperação internacional... porque a caridade nunca ajudou nenhum país a sair do subdesenvolvimento", disse.

As Nações Unidas dizem que Gonaives, uma cidade pobre na costa oeste do Haiti, onde vivem cerca de 300 mil pessoas, foi quase totalmente destruída. As casas ficaram cobertas pelas enchentes e pela lama.

Autoridades da ONU dizem que cerca de 800 mil haitianos precisam urgentemente de ajuda. As tempestades causaram mais de 200 milhões de dólares em prejuízos ao setor agrícola do país. O PIB do Haiti pode ter perdido de 3 a 4 pontos percentuais depois do desastre.

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