MÉXICO - As autoridades mexicanas mantêm o alerta vermelho (perigo máximo) perante a passagem do furacão Jimena pelo noroeste do país. Ele atravessa o Estado da Baixa Califórnia Sul, porém mais fraco, em categoria 1 na escala Saffir-Simpson.

AFP

Moradores observam postes de luz derrubados pelo furacão "Jimena"

O Sistema Nacional de Defesa Civil (Sinaproc) informou, nesta quarta-feira, que mantém o máximo grau de alerta em alguns municípios do Estado da Baixa Califórnia Sul e detalha que apesar da perda de intensidade o furacão continua se movimentando perigosamente perto da linha litorânea da cidade de Comondú.

Na Baixa Califórnia vivem cerca de 560 mil pessoas que poderiam ser afetadas pelo furacão "Jimena".

Até o momento apenas seis mil pessoas estão abrigadas em alguns dos 159 refúgios temporários habilitados pelas autoridades estaduais, como explicou à Agência Efe Audel Álvarez, porta-voz da Defesa Civil da Baixa Califórnia Sul.

Incluídos no chamado "alerta amarelo" (perigo moderado) estão os estados de Sinaloa, Sonora e Baixa Califórnia, este último fronteiriço com a Califórnia (EUA).

EFE

Crianças da cidade de Los Cabos recebem comida de militares

O Serviço Meteorológico Nacional (SMN) informou às 14h (16h, Brasília) de povoações, como Ciudad Constitución, que registraram chuvas de 255 litros por metro quadrado em apenas 12 horas.

A meteorologista Mónica Jiménez disse à Agência Efe que a principal ameaça no momento, com um furacão de categoria 1, são "os intensos ventos" que se registram em boa parte do estado da Baixa Califórnia Sul.

"Por causa do vento podem cair cabos e placas e vidros podem quebrar", alertou o especialista.

As previsões no México apontam que o olho do "Jimena" correrá ainda algumas horas paralelamente à costa antes de tocar terra perto da Bahía de Ballenas, em Baixa Califórnia Sul.

"Esse sistema continuará sendo extremamente perigoso para a península da Baixa Califórnia e para o noroeste do país", explica o boletim meteorológico.

As precauções devem ser mantidas, segundo os responsáveis do SMN e da Defesa Civil do estado, diante da previsão de chuvas de entre 125 e 250 litros por metro quadrado, até 380 litros nos casos extremos.

O meteorologista do SMN Alberto Hernández considerou que o maior perigo no momento seria "um excesso de confiança" entre a população, como ocorreu na mesma região do México com furacões como "Ignacio" (2003) e "Juliette" (2001), quando "mesmo com céu claro houve mortos".

"Não queremos ver gente exposta às intempéries, vendo ver o que acontece", alertou o especialista, que destacou o alerta de que não se deve deixar os locais seguros antes de uma autorização oficial.

As zonas de alerta se estendem desde a baía de Los Angeles, no litoral ocidental da Baixa Califórnia Sul até o litoral leste do Estado, e da população de Altata, em Sinaloa, até baía Kino, em Sonora.

Na terça-feira, o Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah) do México iniciou ações para preservar diversos bens culturais na Baixa Califórnia, entre eles várias das missões estabelecidas pela Companhia de Jesus na península nos séculos XVII e XVIII.

"Como parte das ações preventivas nos museus regionais de antropologia e história, em Ensenada, e no museu das Misiones, em Loreto, se protegeram objetos culturais localizados em espaços potencialmente vulneráveis", explicou o organismo em comunicado.

Nesse Estado mexicano está interrompido também o tráfego aéreo e o marítimo e por enquanto não houve vítimas nem danos graves relacionados à passagem de "Jimena".

"Felizmente o povo ouviu os chamados da autoridade. Se abrigaram, se refugiaram e não há perdas humanas a lamentar até o momento", assegurou ao canal "Televisa" o ministro de Desenvolvimento Social, Ernesto Cordero, que visitou a região.


Leia mais sobre: furacão "Jimena"

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.