Furacão Ike segue para o Caribe com rastro de destruição

Grandes partes do Caribe foram colocadas sob alerta neste domingo por causa da passagem do poderoso furacão Ike, que foi elevado à categoria quatro. As ilhas caribenhas Turks e Caicos estão sendo devastadas pelo Ike, a quarta grande tempestade a atingir a região em três semanas, que atingiu o arquipélago com ventos de até 215 km/h.

BBC Brasil |

O furacão segue agora em direção a costa norte de Cuba, onde deve chegar no fim de domingo ou no início desta segunda-feira.

O furacão pode ganhar força até chegar ao litoral cubano, segundo os meteorologistas.

Se continuar na trajetória prevista, Ike irá atravessar Cuba do leste ao oeste, ameaçando os antigos prédios coloniais da capital, Havana.

O governo cubano emitiu um alerta de furacão para suas províncias do leste.

Chuvas e deslizamentos

Meteorologistas dizem que Ike pode trazer até 30 centímetros de chuva nesta segunda-feira, à medida que segue para Cuba e as Bahamas, passando ao norte do Haiti.

O Haiti deve escapar dos ventos, mas poderá sofrer os efeitos das chuvas trazidas pelo Ike.

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos alertou que os haitianos ainda deverão sofrer com "enchentes instantâneas e deslizamentos de lama sobre terrenos montanhosos com potencial de ameaçar vidas".

O país já está enfrentando as conseqüências de três tempestades que mataram pelo menos 600 pessoas.

Milhares de turistas e residentes deixaram as ilhas Turks e Caicos e o aeroporto de Providenciales, a ilha mais populosa do arquipélago, fechou.

Quem ficou foi forçado a se proteger em abrigos improvisados.

Nas Bahamas, turistas foram alertados para deixar as ilhas do sudeste do arquipélago.

Haiti

Segundo o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) para a infância, o Unicef, 650 mil haitianos foram afetados pela enchente causada pela passagem do furacão Hanna, na semana passada.

O mau tempo deverá atrapalhar os esforços de ajuda no país, onde a destruição foi descrita como catastrófica após a passagem das tempestades Hanna e Gustav, na última semana e Fay, há duas semanas.

O Haiti deverá demorar para se recuperar após a temporada de furacões deste ano, segundo um representante da ONU (Organização das Nações Unidas).

"Os estragos são muito grandes e é o efeito cumulativo de três tempestades atingindo quase o mesmo lugar que faz com que (a situação) seja tão ruim", disse à BBC John Holmes, sub-secretário geral da ONU para Questões Humanitárias e Emergência.

Hanna trouxe pesadas chuvas no país durante quatro dias, causando inundações e deslizamentos de terra.

Nesta sexta-feira, a polícia haitiana encontrou 495 corpos em Gonaives, no noroeste do país, depois que as águas lamacentas da enchente provocada por Hanna começaram a baixar.

Ajuda

Segundo o coordenador de Ajuda Humanitária da ONU no Haiti, Joel Boutroue, a verdadeira escala da tragédia está sendo revelada gradualmente e é difícil levar ajuda a parte da população já que estradas ainda estão inundadas.

"Há uma área, e não é apenas a cidade de Gonaives em si, mas a região inteira, que foi coberta, inundada, e agora a água está gradualmente recuando e há lama e ainda há áreas inundadas", disse à BBC.

Um navio com 33 toneladas de suprimentos das Nações Unidas (ONU) chegou ao país nesta sexta-feira, para ajudar cerca de 600 mil pessoas que enfrentam dificuldades com os estragos causados por Hanna.

Segundo John Holmes, da ONU, o momento da tragédia não poderia ser pior, já que o Haiti foi seriamente afetado pela crise de alimentos.

"É particularmente doloroso que um grande esforço estava sendo feito para tentar combater a crise de alimentos, por exemplo, tentando reconstruir o setor agrícola do Haiti e reconstruir as estruturas tradicionais de irrigação e assim por diante. Está claro que um dos efeitos da sucessão de tempestades foi levar muito disso embora", disse Holmes, da ONU.

A Cruz Vermelha Internacional e a Crescente Vermelha lançaram um apelo por US$ 3,4 milhões para ajudar as vítimas haitianas.

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