A capital de Cuba, Havana, está na rota prevista do furacão Ike, que já deixou pelo menos 61 mortos no Haiti antes de castigar o território cubano. A previsão era de que a tempestade chegasse a Havana, que tem cerca de 2 milhões de habitantes, na manhã desta terça-feira.

O correspondente da BBC em Havana Michael Voss disse que muitos prédios na capital cubana correm risco de sofrer danos se o Ike mantiver a rota prevista.

Segundo um boletim divulgado pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, o furacão perdeu intensidade nas últimas horas e agora é um furacão categoria um, na escala de força Saffir-Simpson, que vai até cinco.

Ainda assim, as autoridades do país colocaram toda a população cubana em alerta máximo e centenas de milhares de pessoas foram retiradas de suas casas, especialmente das construídas em regiões mais baixas.

Existe a previsão de que a tempestade ganhe força nos próximos dias ao atingir as águas quentes do Golfo do México, a caminho da costa dos Estados Unidos - onde pode chegar no sábado.

Fato inédito
Às 21h, hora de Brasília, o furacão se encontrava no mar a cerca de 265 km a sudeste de Havana, e tinha ventos constantes de 130 km/h, com rajadas ainda mais intensas.

O Ike chegou à terra firme em Cuba na segunda-feira, no sudeste do país. Imagens exibidas pela TV estatal cubana mostram imagens de fortes ondas castigando as defesas costeiras e construções próximas do mar.

Depois, o furacão voltou para o mar, mas continua castigando com seus ventos e chuvas torrenciais o sul da ilha.

Este é o segundo furacão a atingir Cuba em duas semanas.

O anterior, Gustav, causou prejuízos no oeste da ilha, provocando estragos em quase cem mil casas.

Segundo o chefe do serviço meteorológico cubano, Jose Rubiera, o país jamais havia sido atingido por dois furacões em espaço tão curto de tempo.

Rastro
Além do Haiti, Ike já causou muitos danos nas ilhas Turks e Caicos e nas Bahamas em seu caminho pelo Caribe.

As autoridades em Turks e Caicos estimam que 80% dos prédios foram danificados.

A passagem de Ike pelo Haiti, onde a destruição foi descrita como catastrófica, provocou mais de 50 mortes, a maioria crianças, na cidade de Cabaret, ao norte da capital, Porto Príncipe.

A primeira-ministra, Michele Pierre Louis, fez um apelo por ajuda internacional, principalmente no envio de helicópteros para resgatar as pessoas atingidas pelas enchentes, já que muitas delas estão no telhado de suas casas há vários dias para escapar dos alagamentos.

O furacão Ike é a quarta tempestade a atingir o Haiti no período de um mês. Na semana passada, a passagem do furacão Hanna afetou 650 mil haitianos, segundo o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) para a infância, o Unicef. Pelo menos 500 pessoas morreram.

Além da passagem de Hanna, o país sofreu com o impacto do Gustav, na última semana, e Fay, há duas semanas.

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