Furacão Ike ameaça Cuba, Hanna se abate sobre os EUA

Por Gene Cherry SALVO, Estados Unidos (Reuters) - O furacão Ike ameaçava Cuba e o Golfo do México com uma tempestade potencialmente feroz, enquanto a tempestade tropical Hanna iniciava uma marcha chuvosa rumo à costa norte-americana do Atlântico após tomar de assalto as praias das Carolinas neste sábado.

Reuters |

A área densamente povoada de Miami e Fort Lauderdale, no sul da Flórida, não estava fora da linha de fogo do Ike, um poderoso furacão de categoria 3, e os turistas receberam ordens para se retirar da vulnerável cadeia de ilhas de Flórida Keys a partir deste sábado.

Modelos de computador, entretanto, indicavam a crescente probabilidade de que o Ike atinja Cuba na forma de um devastador furacão de categoria 4, das cinco existentes na escala Saffir-Simpson, simbolizando uma grave ameaça aos decadentes edifícios coloniais de Havana.

A tempestade pode em seguida se voltar para o Golfo do México, na esteira do furacão Gustav, abrindo caminho rumo a uma área que produz um quarto do petróleo americano, e atingir as praias próximas de Nova Orleans, que foi inundada e assolada pelo furacão Katrina há três anos.

Quanto mais o Ike adentrar o território cubano, mais fraco ele estará quando ressurgir sobre o Golfo do México no início da semana que vem, disse o Centro Nacional de Furacões dos EUA.

'Mais adiante, as condições parecem bastante indicativas de um fortalecimento sobre o Golfo do México', declarou a agência governamental sediada em Miami.

O Hanna, enquanto isso, não atingiu a força de um furacão antes de se espraiar entre as Carolinas do Norte e do Sul na última noite.

Está previsto que ele se mova rapidamente rumo ao nordeste ao longo da costa atlântica no final de semana, trazendo chuvas pesadas e o risco de uma inundação relâmpago nos Estados do Atlântico central e no sul da Nova Inglaterra. Mais de 7,5 cm de chuva já haviam despencado sobre a Carolina do Sul.

Agentes do controle de emergências da Carolina do Norte disseram não possuir relatos de fatalidades ou de grandes danos.

'Temos relatos de entre 9 e 12 mil lares sem energia no leste', disse o porta-voz Mark Van Sciver. 'Também há alguma inundação localizada.'

Mais de 1.500 pessoas se encontravam em 45 abrigos de furacão ao longo da costa e o governador da Carolina do Norte, Mike Easley, declarou estado de emergência.

IKE É AMEAÇA SÉRIA

O Ike estava muito mais ameaçador do que o Hanna à medida que traçava um caminho que o levaria às ilhas Turks e Caicos e ao sudeste das Bahamas em direção ao sul de Cuba, onde o centro de furacões previa que se abatesse sobre uma larga faixa da costa.

Uma vez no Golfo do México, ele pode encontrar águas profundas e mornas que lhe permitiriam crescer e se fortalecer, embora o furacão Gustav possa ter atraído águas frias profundas antes de se abater sobre a Louisiana na segunda-feira.

Seus ventos mais fortes de 185 km/h o transformaram em um furacão de categoria 3 fraco. Tempestades desta categoria e de outras mais elevadas são conhecidos como 'grandes' furacões e causam os maiores danos. O Katrina era de categoria 3 quando desabou perto de Nova Orleans no dia 29 de agosto de 2005, alagando a cidade e matando 1.500 pessoas na costa do Golfo do México.

Os ventos do Ike prometem atingir seu pico de 213 km/h pouco antes de se abater sobre Cuba dentro de 48 horas.

O sul da Flórida, onde mais de 1,3 milhão de pessoas podem ser forçadas a evacuar, se preparava para o Ike. Os turistas receberam ordens de abandonar Florida Keys neste sábado e os moradores receberam ordens de deixar o local a partir deste domingo. As autoridades em Miami instavam os moradores a não serem displicentes.

Alertas de tempestade foram emitidos para as ilhas Turks e Caicos, as Bahamas, o Haiti e a República Dominicana, e provavelmente seriam emitidos para o sul de Cuba ainda neste sábado, disse o centro de furacões.

Os alertas no Haiti incluíram a cidade de Gonaives, onde pelo menos 495 pessoas morreram nesta semana em um alagamento que atingiu cerca de cinco metros de altura de água lamacenta depois que o Hanna despencou suas chuvas torrenciais na ilha de Hispaniola, disse um comissário de polícia. No total, o Hanna matou 520 pessoas no Haiti.

O governo das Bahamas enviou soldados e suprimentos de emergência para Mayaguana e San Salvador, ilhas ao sul que ficaram sem alimentos e água por causa de um barco do correio que se atrasou.

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