Furacão Gustav perturba campanha presidencial americana

A chegada iminente do furacão Gustav à costa sul dos Estados Unidos perturbou a campanha presidencial americana e o presidente George W. Bush anunciou neste domingo que não assistirá à convenção republicana, que começa segunda-feira em Saint Paul (Minnesota, norte dos EUA).

AFP |

A porta-voz da presidência, Dana Perino, informou que Bush ficará atento ao avanço do furacão de categoria 3 (em uma escala de 5), que deve atingir a costa sul dos Estados Unidos na segunda-feira. O próprio Bush anunciou na tarde deste domingo que irá ao Texas na segunda-feira para visitar um centro operacional de coordenação dos socorros.

Perino frisou que o vice-presidente, Dick Cheney, também não comparecerá a esta convenção, durante a qual John McCain deve ser designado oficialmente como o candidato do Partido Republicano à eleição presidencial de 4 de novembro.

Ao contrário, a esposa do presidente, Laura Bush, deve ir à convenção.

McCain modificou sua agenda de campanha e era esperado neste domingo, junto com sua companheira de chapa Sarah Palin, no Mississippi (sul dos EUA), um estado ameaçado pelo furacão Gustav. Os dois devem visitar um centro de comando das operações de emergência em Jackson para assistir aos preparativos prévios à chegada do furacão.

O estado de emergência foi decretado em quatro estados do sul do país (Texas, Louisiana, Mississippi e Alabama). O prefeito de Nova Orleans (Louisiana), Ray Nagin, ordenou a evacuação da cidade, qualificando Gustav de "tempestade do século".

Os habitantes da Louisiana, e principalmente os de Nova Orleans, ainda estão traumatizados pelo furacão Katrina, que provocou a morte de cerca de 1.800 pessoas em agosto de 2005. Na época, as autoridades federais tinham demorado vários dias para reagir, e vários líderes políticos haviam denunciado a ineficiência do governo Bush. O próprio John McCain havia qualificado de "vergonhosa" a reação do Estado federal.

Na noite de sábado, por ocasião de um comício em Washington (Pensilvânia, leste dos EUA), McCain pediu a seus simpatizantes que rezassem para que o furacão poupe os habitantes do sul dos Estados Unidos.

O candidato republicano havia declarado anteriormente que a convenção poderia ser suspensa se o Gustav atingisse duramente o litoral americano.

"Não seria conveniente organizar um evento festivo no momento em que uma tragédia acontece perto de nós", justificou então.

A convenção republicana está prevista de segunda a quinta-feira em Saint Paul.

Por sua vez, o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, informou ter conversado com o governador republicano da Louisiana, Bobby Jindal; com o prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin; com o diretor da agência federal da gestão das situações de crise (Fema), David Paulison; com a senadora democrata da Louisiana Mary Landrieu e com vários outros responsáveis.

"É uma situação muito grave. Tudo indica que a tempestade pode atingir as costas da Louisiana, e se trata de um furacão muito poderoso", declarou Obama.

O candidato democrata à vice-presidência, Joseph Biden, cuja filha estuda na universidade Tulane em Nova Orleans, conclamou os habitantes a evacuarem a cidade.

Obama destacou que não pretende, por enquanto, se deslocar para as zonas ameaçadas por Gustav. "Às vezes podemos atrapalhar" em vez de ajudar nos preparativos para prevenir a chegada do furacão, explicou, criticando implicitamente a iniciativa de seu adversário republicano.

O senador de Illinois devia neste domingo fazer campanha em Ohio e Michigan (norte dos EUA).

aje/yw

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