Furacão Gustav: parte último trem com moradores de Nova Orleans

Um trem que deixou a estação de Nova Orleans (sul dos EUA), neste domingo à tarde, levando um pequeno grupo de moradores que resistiu até o último minuto a abandonar suas casas, diante da ameaça cada vez mais concreta do furacão Gustav.

Redação com AFP |

Os moradores ocuparam lentamente os dois vagões disponibilizados pela empresa ferroviária Amtrak. Eles foram levados para um abrigo na cidade de Memphis, no Tennessee (sul), local onde estão outras milhares de pessoas que também esperam pela passagem de Gustav, anunciada para segunda-feira.

"Esse é o último trem que sai de Nova Orleans?", pergunta uma mulher a uma funcionária, subindo apressada as escadas. Nas mãos, apenas uma sacola de plástico, com alguma roupa e um rádio despertador.

Dentro do vagão, um casal está em silêncio. Dois homens, Michael e Jeremy, conversam animadamente.

"Tudo ficará bem desta vez", acredita Michael Robertson, carpinteiro em Nova Orleans, na faixa dos 60 anos. "Quando o Katrina veio, fui embora no meio da tempestade e, quando voltei, essa cidade era o Vietnã. Os jornais não conseguiram mostrar o nível de destruição que eu vi", lembra.

Agora, o trem já vai partir, e um policial pede para que desça quem não estiver sendo evacuado.

"Há cerca de 70 pessoas, são os últimos que trasladamos", comenta o agente, da polícia de Nova Orleans, acrescentando que "pelo menos 3.000 pessoas" saíram de trem da cidade, nesses últimos dias. A polícia local contabiliza que mais de 370.000 pessoas deixaram a cidade.

A maioria da população foi embora de carro, o que provocou grandes engarrafamentos quando o governo ordenou a retirada obrigatória.

"Não tenho carro, tive de pegar um trem e estou um pouco preocupado com as minhas coisas", diz Jeremy.

O cenário em Nova Orleans é o de uma cidade fantasma. Todas as lojas estão fechadas, as casas tiveram suas janelas reforçadas e sacos de areia foram postos nas portas para defender os imóveis do vento e da água.

Nas ruas, circulam apenas caminhões da Guarda Nacional americana, patrulhando todas as partes, além de algumas caminhonetes de jornalistas.

Agora, o maior medo dos moradores após a passagem do Gustav é com os saques, mas o prefeito Ray Nagin já avisou hoje: "os saqueadores vão direto para a cadeia".

jco/tt

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