Furacão Gustav já está no Golfo do México e ameaça costa americana

Depois de sua passagem pelo oeste de Cuba, o furacão Gustav segue seu caminho no Golfo do México rumo à Louisiana, onde autoridades traumatizadas pelo furacão Katrina em 2005 ordenaram a retirada da população.

AFP |


"Os ventos perderam intensidade, caindo para cerca de 205 km/h (contra 240 km/h sábado). O Gustav é agora um furacão de categoria 3 na escala Saffir-Simpson", que tem cinco níveis, anunciou neste domingo o Centro Nacional americano dos Furacões (NHC, sigla em inglês), com sede em Miami (Flórida, sudeste dos EUA). No entanto, o NHC avisou que o Gustav pode ganhar força ao passar pelo Golfo do México e voltar para a categoria 4 no fim da tarde deste domingo.

"O Gustav vai continuar sendo um furacão muito potente até tocar terra", advertiu o NHC, destacando que às 9h GMT (6h de Brasília), o Gustav estava cerca de 680 km ao sudeste da foz do rio Mississippi e avançava a uma velocidade de 26 km/h. O governador da Louisiana, Bobby Jindal, anunciou neste domingo que "mais de um milhão de pessoas" estavam deixando Nova Orleans.

"Deixem a cidade!", pediu o presidente do distrito de Jefferson, Aaron Broussard. "Tenham coragem de se separar das coisas materiais. Vocês não podem se proteger do que a Mãe Natureza vai fazer", disse. O distrito de Jefferson é particularmente exposto às inundações, que poderão atingir um nível de cerca de 3 metros, em caso de rupturas dos diques, segundo os especialistas.

O Gustav entrou neste domingo no Golfo do México, onde estão concentradas 25% das instalações petrolíferas norte-americanas. As principais companhias, BP, ConocoPhillips e Shell, retiraram seus funcionários das plataformas e de outras instalações na área.

As companhias de petróleo que operam na região interromperam 96% de sua produção, segundo estimativas do governo norte-americano divulgadas neste domingo.

"Segundo informações dos operadores, estima-se que por volta de 96% da produção no Golfo esteja interrompida", indicou o Departamento do Interior em seu site da internet.

"Os funcionários foram retirados de 518 plataformas de produção no total, ou seja 72,3% das 717 plataformas onde trabalham pessoas no Golfo do México", acrescentou o organismo. "Estima-se também que cerca de 82% da produção de gás natural no Golfo esteja interrompida".

O Gustav deve atingir segunda-feira as costas da Louisiana e do Texas, onde o estado de emergência foi decretado. O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, ordenou a evacuação da cidade, qualificando o Gustav de "furacão do século".

Nagin também decretou neste domingo um toque de recolher no início da manhã e advertiu que saqueadores iriam "diretamente" para a prisão. Um contingente de 2.000 guardas nacionais reforçava a Polícia local em sete distritos da região de Nova Orleans.

O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, modificou sua agenda de campanha para ir ao Mississippi e verificar os preparativos prévios à chegada do Gustav.

As estradas em torno de Nova Orleans ainda estavam completamente engarrafadas na manhã deste domingo. Os moradores da cidade ficaram traumatizados pela passagem do furacão Katrina, que deixou 1.800 mortos na Louisiana e nos estados vizinhos e inundou grande parte de Nova Orleans em agosto de 2005.

Cuba

Depois de ter deixado 85 mortos no Haiti, na República Dominicana e na Jamaica, Gustav provocou importantes danos materiais ao passar sábado pelo oeste de Cuba com ventos de até 340 km/h. Ao contrário do resto do Caribe, a ilha comunista, acostumada às tempestades tropicais, não registrou mortes.

O furacão atingiu primeiro a Ilha da Juventude, cerca de 100 km ao sul de Cuba, deixando um rastro de destruição. "Não recebemos até agora nenhuma informação sobre vítimas, mas temos vários registros de feridos nos braços, nas pernas e na cabeça", declarou Ana Isa Delgado, chefe da Defesa civil na Ilha da Juventude, a um canal de televisão cubano.

"Danos importantes", inundações e ondas de até cinco metros também foram registrados pela Defesa civil nas províncias ocidentais de Pinar del Rio e Havana.

Cerca de 250.000 pessoas foram evacuadas desde sexta-feira das províncias ocidentais de Cuba, segundo a Defesa civil. Mais de mil turistas estrangeiros, principalmente canadenses e italianos que estavam na Ilha da Juventude, foram transferidos para locais seguros, segundo as autoridades cubanas.

Na cidade de Havana, colocada em estado de alerta máximo, as ruas desertas e escuras por causa dos cortes de eletricidade foram castigadas pela chuva e o vento durante toda a madrugada deste domingo, mas a população não foi evacuada, segundo as autoridades.

Até agora, o Gustav provocou a morte de pelo menos 66 pessoas no Haiti, 11 na Jamaica e oito na República Dominicana.

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