Funeral se transforma em protesto contra Israel

Cerimônia de velório de jornalista morto em ataque contra flotilha reúne milhares de pessoas no centro de Istambul

iG São Paulo |

O funeral do jornalista Cevdet Kiliçlar, morto durante o ataque israelense à frota de navios com ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza, se transformou nesta sexta-feira em uma nova manifestação contra a agressão de Israel, informaram as televisões turcas.

© AP
Milhares de pessoas protestam contra Israel nesta sexta-feira na Turquia

Milhares de pessoas se reuniram nesta sexta-feira na mesquita de Beyazit, no centro histórico de Istambul, para dar o último adeus ao jornalista e membro da ONG islâmica turca IHH, que coincidiu com as preces da sexta-feira, a mais importante para os muçulmanos.

Os presentes ostentavam dezenas de bandeiras islâmicas, assim como outras com símbolos do grupo palestino Hamas e do libanês Hezbollah. O jornalista foi sepultado como mártir. Durante o funeral, manifestantes gritaram palavras de ordem contra Israel, como "Israel pagará" e "Abaixo Israel".

Ação militar

Na última segunda-feira, pelo menos nove pessoas morreram - oito turcos e um americano - em uma ação militar israelense de abordagem à frota de envio de ajuda para Gaza. Há informações de que o americano - que também tinha nacionalidade turca - morreu com vários tiros disparados de perto.

Centenas de ativistas foram presos e deportados de Israel desde então. O incidente provocou uma onda de críticas internacionais, e o Conselho de Segurança da ONU emitiu declaração pedindo que o caso seja investigado imediatamente, de forma "imparcial, crível e transparente".

O autor de romances policiais sueco Henning Mankell, um dos escritores mais famosos do país, estava entre os passageiros de um dos barcos da frota atacada. Ele viu, à distância, o assalto ao navio Mavi Marmara, que liderava a frota.

Em entrevista coletiva em Berlim, depois de ser deportado de Israel, o escritor defendeu que sejam adotas sanções contra o Estado de Israel, nos moldes das sanções adotadas contra a África do Sul durante o regime do apartheid. Segundo Mankell, Israel saiu "para cometer assassinato". "Eu não entendi porque eles usaram tanta força", disse, afirmando que os passageiros foram tratados com extrema agressividade.

Outros ativistas a bordo do Mavi Marmara - entre eles a cineasta brasileira Iara Lee - também relataram cenas de violência por parte dos soldados ( leia o relato da brasileira sobre o ataque ).

Na quinta-feira à noite, em entrevista à rede de TV americana CNN, o presidente Barack Obama disse que a morte dos ativistas foi "trágica" , mas afirmou que o incidente pode ter efeitos positivos sobre o processo de paz na região.

Bloqueio contestado

Desde a ação militar, o primeiro-minsitro israelense Binyamin Netanyahu vem sofrendo pressão para suspender o bloqueio terrestre e marítimo a Gaza, imposto em 2007 quando o Hamas assumiu o controle do território.

nullSegundo o canal 1 da TV israelense, Netanyahu teria dito na quinta-feira ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair que estaria disposto a flexibilizar o bloqueio marítimo a Gaza , caso fosse instaurada uma comissão internacional para inspecionar a carga dos navios. Blair é um dos representantes do Quarteto, grupo que negocia a paz no Oriente Médio formado por EUA, Rússia, União Europeia e ONU.

A embarcação de bandeira irlandesa aguardada no território foi batizada de Rachel Corrie em homenagem à ativista americana de mesmo nome morta em Gaza em 2003, quando tentava impedir que uma escavadeira demolisse uma casa palestina.

Os organizadores da missão instalaram câmeras de segurança e equipamentos de gravação para registrar todas as ações a bordo, para garantir a segurança dos passageiros civis e precisão de informações no caso de um futuro inquérito sobre a missão.

* Com Reuters, AFP e BBC Brasil

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