Funeral polonês é mantido apesar da nuvem de cinza

Por Gareth Jones VARSÓVIA (Reuters) - O funeral do presidente polonês deve ser mantido no domingo, conforme planejado, por insistência da família dele, apesar da nuvem de cinza vulcânica que prejudica o tráfego aéreo europeu e pode impedir a presença de vários dignitários.

Reuters |

O presidente Barack Obama já confirmou sua presença em Cracóvia na manhã de domingo para o enterro de Lech Kaczynski e da sua esposa, Maria, que estavam entre as 96 vítimas fatais do acidente aéreo de sábado na Rússia.

Dezenas de milhares de pessoas compareceram na sexta-feira ao velório do casal, no palácio presidencial em Varsóvia. Alguns passaram mais de 18 horas na fila, comovidos com o pior desastre isolado no país desde a Segunda Guerra Mundial.

O pitoresco bairro antigo de Varsóvia, onde fica o palácio, está coberto de flores, velas, crucifixos e bandeiras nacionais. A prefeitura diz que desde sábado já recolheu 330 toneladas de flores e cera das ruas.

O acidente, ocorrido num local com forte neblina, matou também o presidente do Banco Central, comandantes militares, funcionários do governo e líderes da oposição. Com a morte dos principais dirigentes do partido oposicionista Lei e Justiça (PiS), o comportamento da opinião pública parece ter se alterado.

Uma pesquisa divulgada na noite de sexta-feira mostrou uma queda de 11 pontos percentuais no apoio à Plataforma Cívica (governo), enquanto continua estável em 25 por cento o número de poloneses favoráveis a um governo liderado pelo conservador PiS, dirigido por Jaroslaw Kaczynski, irmão gêmeo do presidente morto.

Com apoio do PiS, Kaczynski deveria disputar um segundo mandato de cinco anos na eleição presidencial deste ano, que foi antecipada para 20 de junho após o acidente.

Ao morrer, Kaczynski, um polêmico nacionalista eurocético, tinha apenas 20 por cento de aprovação popular, e seria derrotado na eleição presidencial por Bronislaw Komorowski, candidato do primeiro-ministro Donald Tusk, do centrista Plataforma Cívica.

Komorowski, que é presidente do Parlamento, se tornou presidente interino da república com a morte do titular. Não está claro quem serão seus principais adversários, já que o candidato do principal partido esquerdista, o SLD, também morreu no acidente.

(Reportagem adicional de Gabriela Baczynska e Pawel Florkiewicz em Varsóvia, Amie Ferris-Rotman em Moscou)

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