Funeral de vítimas do terremoto comove a Itália; mortos chegam a 290

Milhares de pessoas participaram nesta Sexta-Feira Santa do funeral de 205 vítimas do terremoto que atingiu 27 municipios da região de Abruzzo, no centro da Itália, na segunda-feira. O número de mortos subiu para 290 depois que os bombeiros acharam o corpo de um homem em meio a escombros de uma rua de LAquila.

Redação com agências internacionais |

AP
Itália para e acompanha funeral coletivo de vítimas do terremoto

Itália para e acompanha funeral coletivo de vítimas do terremoto

Nesta sexta-feira, uma missa especial foi celebrada pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, e pelo arcebispo de Áquila, monsenhor Giuseppe Molinari. Bertone leu uma mensagem enviada pelo papa Bento 16 aos familiares das vítimas.

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, presente à solenidade, disse: "os mortos de Abruzzo são os mortos de toda a nação. Hoje é um dia de comoção, de muita dor."

As centenas de caixões foram colocadas na praça diante da Escola da Polícia Financeira, próxima ao centro histórico de Áquila. Vinte deles - de cor branca - eram de crianças. Sobre cada um deles havia flores. Os funerais de algumas das vítimas, de outras regiões da Itália, tinham sido realizados dias antes, nas cidades de origem.

Pequenos caixões brancos com os corpos de crianças foram colocados sobre os caixões de seus pais, alguns com um de seus brinquedos favoritos. A vítima mais jovem era um menino de cinco meses de idade que morreu com sua mãe.

"O clima hoje é de muita tristeza, mas também de muita revolta", disse Piero Faro, que veio prestar condolências à amiga da família Paola Pugliesi, 65, que morreu com seu filho Giuseppe, 45. "O prédio em que eles viviam simplesmente se desintegrou. Isso não deveria ter acontecido."

Alguns dos presentes beijaram os caixões e foram confortados pelo primeiro-ministro, antes de uma missa católica oficiada pelo segundo mais alto clérigo do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone. Em mensagem lida para os presentes, o papa Bento disse: "eu me sinto espiritualmente presente entre vocês e compartilho sua dor."

Bandeiras foram hasteadas a meio-pau num dia de luto nacional, as lojas fecharam suas portas, os aeroportos suspenderam as decolagens para um minuto de silêncio, e os policiais do trânsito tiraram seus coletes coloridos.

Autorização do Vaticano

Para realizar a missa foi necessária a autorização do Vaticano porque, segundo a tradição da Igreja Católica, a Sexta-Feira Santa é o único dia do ano litúrgico em que não há celebração de missas.

Além de Berlusconi, participaram da cerimônia as principais autoridades italianas, entre eles o presidente Giorgio Napolitano, e os presidentes da Câmara e do Senado.

O papa Bento 16, que prometeu visitar a região do terremoto e os desabrigados "assim que for possível", enviou como representante seu secretário particular, monsenhor Georg Gaenswein.

Devido aos tremores de terra que continuam ocorrendo na região de Áquila, as autoridades italianas pediram que apenas os parentes das vítimas participassem da cerimônia.

Às 5h22 locais (0h22 de Brasília), a terra voltou a tremer na região de Abruzos por causa de uma réplica que alcançou os 3,7 graus de magnitude na escala Richter.

Além disso, na noite passada foi registrado outro movimento telúrico, por volta das 21h30 locais (16h30 de Brasília), de 4,9 graus, que também foi sentido em Roma.


Epicentro do terremoto foi em L'Aquila, no centro da Itália


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* Com BBC e Ansa

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