Funeral de presidente polonês reúne multidão na Cracóvia

Juan Carlos Barrena. Cracóvia (Polônia), 18 abr (EFE).- Num funeral com uma grande ausência de estadistas, impossibilitados de viajar pelo caos aéreo na Europa, os corpos do presidente polonês, Lech Kaczynski, e de sua mulher, Maria, foram levados hoje para o castelo de Wawel, na Cracóvia, onde serão enterrados.

EFE |

Mais de 150 mil pessoas se reuniram às margens do Rio Vístula, 45 mil delas na Praça do Mercado da Cracóvia, que ficou lotada.

Vários estadistas foram impossibilitados de assistir ao funeral, devido à grande nuvem de cinzas gerada pela erupção de um vulcão na Islândia que obrigou o fechamento do espaço aéreo de vários países europeus.

A multidão de cidadãos poloneses levou milhares de bandeiras nacionais e entoaram salmos e o hino do país, enquanto esperavam o início da celebração religiosa.

O primaz da Igreja Católica polonesa, Henryk Muszynski, foi ovacionado ao final da missa, quando disse que "Deus, honra e pátria foram os lemas de Kaczynski durante sua vida".

Os corpos do presidente e de sua esposa foram acompanhados na saída da Basílica de Santa Maria, onde aconteceu o funeral durante mais de duas horas, por milhares de vozes que entoavam o hino nacional polonês e por uma grande salva de palmas.

Os dois caixões foram levados até o castelo de Wawel em veículos oficiais e acompanhados por uma banda militar e pela guarda de honra. Seus corpos descansarão em uma das criptas da Catedral de São Venceslau e Santo Estanislau.

No cortejo a pé, liderado por Marta, a única filha do casal, e por Jaroslaw Kaczynski, irmão gêmeo do presidente, estavam autoridades polonesas, como o primeiro-ministro Donald Tusk e o presidente interino Bronislaw Komorowski.

O líder de Estado russo, Dmitri Medvedev, foi um dos poucos estadistas que conseguiram chegar à Cracóvia, a quem os poloneses agradecem pela solidária reação de seu povo após o acidente aéreo que tirou a vida de 96 pessoas, no aeroporto de Smolensk (Rússia).

O presidente interino da Polônia agradeceu à Rússia em seu discurso e lembrou que a delegação liderada por Kaczynski se dirigia à floresta de Katyn, onde, em 1940, forças soviéticas assassinaram mais de 20 mil oficiais poloneses e uma grande parte da elite intelectual do país.

Komorowski expressou seu desejo de que as mortes no acidente "não sejam um sacrifício inútil" e sirvam para "a reconciliação entre poloneses e com a nação russa, para superar a tragédia de Katyn".

Além de Medvedev, estavam presentes na basílica o presidente da Alemanha, Horst Köhler; o da República Tcheca, Vaklav Klaus; o da Ucrânia, Viktor Yanukovich; entre outros, assim como o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek.

Chamou a atenção a ausência do ex-presidente polonês Lech Walesa, inimigo dos gêmeos Kaczynski. EFE jcb-nt/pd

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