Funeral de líder ultradireitista austríaco reúne 25 mil pessoas

Antonio Sánchez Solís. Viena, 18 out (EFE).- Com tratamento de um chefe de Estado, uma estrela da música ou um líder religioso, a província austríaca da Caríntia se despediu hoje do líder ultradireitista Jörg Haider - seu governador durante nove anos - com um funeral cheio de homenagens e com mais de 25 mil pessoas presentes.

EFE |

A Praça Nova, em Klagenfurt, capital da Caríntia, foi cenário hoje de um cerimonial de Estado, com a presença do presidente da Áustria, Heinz Fischer, e do chanceler austríaco, Alfred Gusenbauer, além da cúpula política do país.

Desde sua morte, em um acidente de trânsito no último sábado, quando dirigia bêbado e além da velocidade permitida, a Áustria continua se recuperando da inesperada morte de seu político mais polêmico, mas também mais relevante, das últimas duas décadas.

No funeral de hoje, os oradores - a maioria do partido de Haider, Aliança pelo Futuro da Áustria (BZÖ) - e amigos pessoais insistiram em destacá-lo como um "visionário" e um "homem do povo".

"Nosso governador não pode morrer" chegou a dizer com um tom próximo ao da veneração Uwe Scheuch, novo líder da BZÖ na Caríntia, que pediu que as pessoas se esforcem para dar continuidade ao "trabalho" de Haider.

Poucas críticas foram ouvidas hoje sobre quem, nos anos 1990, elogiou a política trabalhista de Adolf Hitler e chamou os campos de concentração nazistas de "centros de castigo".

Embora sua ambigüidade sobre o passado nazista da Áustria tenha sido relegada nos últimos anos, Haider continuava com seu discurso nacionalista, xenófobo e crítico em relação à União Européia (UE).

Inclusive Gusenbauer mostrou seu "respeito e reconhecimento" e qualificou Haider como uma pessoa que "não deixava ninguém indiferente, nos aspectos positivo e negativo".

"Foi capaz de impressionar muita gente, mas também de suscitar contradições", declarou.

No que pareceu uma crítica em seu discurso, o chanceler austríaco disse que Haider "exigiu de outras pessoas o que ele mesmo não estava em posição de cumprir".

Além dos políticos locais, entre os presentes estava Saif Kadafi, filho do líder da Líbia, Muammar Kadafi, uma delegação da Liga Norte (LN), do italiano Umberto Bossi, e representantes de regiões italianas e russas.

Embora a Polícia não tenha constatado a presença de grupos radicais, entre os que foram homenagear Haider estavam membros das Burschenschaften, as associações estudantis vinculadas à ultradireita.

Segundo a rede de TV pública "ÖRF", cerca de 25 mil pessoas compareceram ao funeral, depois que o velório recebeu 18 mil visitas nos últimos dois dias.

Apesar de seu crescimento no resto do país ter perdido muita força, Haider continuava desfrutando de cotas de popularidade de 45% na Caríntia.

De fato, no livro de condolências habilitado na internet se acumulavam 10 mil mensagens de pêsames.

"Agradecemos por tudo o que você fez por nós. Pedimos que continue nos protegendo", assinava uma família da cidade de Leopoldsdorf.

"Nunca o esquecerei e falarei do senhor a meu filho de 22 meses.

Assim, será imortal para nós", dizia uma mensagem.

O caixão com os restos mortais de Haider foi escoltado esta manhã por uma guarda de honra do Exército austríaco em um cortejo fúnebre no qual participaram sua mulher, Claudia, e as duas filhas do casal.

Após os discursos de homenagem ao político foi realizada uma cerimônia religiosa na catedral de Klagenfurt.

Após serem incinerados, os restos mortais de Haider foram enterrados hoje mesmo em uma capela em uma propriedade da família em Bärental, em uma cerimônia privada. EFE as/wr/fal

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