Funeral de líder racista reúne centenas de radicais na África do Sul

Centenas de ultradireitistas, muitos com uniformes paramilitares, e vários jornalistas se reuniram nesta sexta-feira na pequena cidade de Ventersdorp, no noroeste da África do Sul, para o funeral de Eugene Terreblanche, líder extremista defensor da supremacia branca.

iG São Paulo |

A polícia estabeleceu fortes medidas de segurança dentro e fora da igreja onde ocorreu o funeral.


Radicais participam de funeral de Terreblanche / AP

Antes da cerimônia, os dirigentes do Movimento de Resistência Africâner (AWB), grupo de ideologia e simbolismo similar ao Nazismo fundado por Terreblanche em 1973, asseguraram que não farão ações violentas após a morte do líder.

Andre Visage, secretário-geral do AWB e que no domingo passado ameaçou vingar a morte de Terreblanche, disse à imprensa que seu grupo negociará pacificamente com o governo proteção.

"Se não nos sentirmos satisfeitos com as negociações, retornaremos a nossa nação e veremos o que devemos fazer, mas a violência é um o último recurso", acrescentou.

Ele também advertiu aos torcedores que forem à África do Sul para a Copa do Mundo, marcada para junho e julho, que cuidem de sua segurança.

"Podem vir, mas que tenham cuidado com sua segurança, pois o governo sul-africano não pode proteger nem a si mesmo e deixará só as pessoas de outros países", disse.

Eugene Terreblanche

O líder de extrema direita sul-africano Eugene Terreblanche, de 69 anos, foi assassinado no último sábado em um ato aparentemente sem motivações políticas.

Terreblanche dedicou a vida à defesa da supremacia dos brancos e à manutenção do apartheid e seu grupo, o Movimento de Resistência Africâner (AWB), que se opôs com violência à transição pós-apartheid no começo dos anos 1990.

Segundo a polícia, o líder da ultradireita teria sido assassinado por dois empregados de uma fazenda após uma discussão pela falta de pagamento dos salários.

Tensão racial

O assassinato reaviva as tensões raciais em um país onde a cor da pele continua sendo um fator de divisão, 16 anos depois do fim oficial do regime do apartheid.

Consciente do que o caso pode provocar, o presidente Zuma pediu calma e que "os sul-africanos não permitam aos agentes provocadores se aproveitar da situação para incitar, ou para alimentar, o ódio racial".

O Congresso Nacional Africano (ANC, no poder) foi criticado por ter deixado o líder de seu movimento juvenil, o controverso Julius Malema, retomar um canto de luta anti-apartheid que pede que se "mate os boers" (os fazendeiros brancos).

Esta canção, que os tribunais acabam de proibir, provocou comoção em certas áreas da comunidade branca, preocupadas com a convocação à violência.

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* Com EFE e AFP

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