Fundo concede US$ 2,75 bi contra Aids, tuberculose e malária

Por Matthias Williams NOVA DÉLHI, Índia (Reuters) - O Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária aprovou 94 novas concessões de verba em um total de 2,75 bilhões de dólares a serem gastos dentro de dois anos, afirmou na segunda-feira o diretor-executivo da entidade.

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O Zimbábue deve receber 169 milhões de dólares depois de ter devolvido 7,3 milhões que o fundo disse haviam sido "confiscados" pelo Banco Central do país africano em 2007.

O Fundo Global, lançado em 2002 pelo Grupo dos Oito (G8, que reúne os maiores países industrializados do mundo), diz já ter evitado a morte de 2,5 milhões de pessoas ameaçadas pela tuberculose, Aids e malária.

"Nós temos uma mensagem fantástica para levar aos países ricos: os programas de combate a essas três doenças salvam vidas, reduzem o fardo das enfermidades e fortalecem os sistemas de atendimento médico", disse Michel Kazatchkine, diretor-executivo do fundo, depois de um encontro realizado em Nova Délhi.

As verbas aprovadas representam o maior montante já concedido pela entidade, elevando seus gastos totais em 140 países para 14,4 bilhões de dólares.

Mas o grupo humanitário Global Aids, com sede nos EUA, disse na semana passada que autoridades norte-americanas e francesas pretendem cortar drasticamente as remessas de dinheiro para esse tipo de atividade e concentrarem-se em programas bilaterais de saúde.

"Neste momento, não há motivo para acreditarmos que eles cortarão a remessa de verbas", afirmou à Reuters Nicolas Demey, porta-voz do Fundo Global. Demey acrescentou que os EUA e a França "sempre foram importantes patrocinadores" da entidade.

O Fundo Global disse na semana passada que seria "extremamente duro" com o Zimbábue depois de não ter conseguido retirar milhões de dólares do Banco Central daquele país.

Preocupada com as taxas de câmbio, a entidade redirecionou a maior parte de seu dinheiro para fora do Zimbábue em 2007, ano em que esse país do sul da África enfrentou uma grave crise econômica. Parte do dinheiro, porém, foi mantida ali a fim de ser gasta no território zimbabuano.

O Zimbábue possui a quarta maior taxa de contaminação pelo HIV (vírus da Aids) no mundo, segundo dados de 2007.

Na semana passada, o Banco Central do país devolveu o dinheiro à entidade e prometeu que o Fundo Global, no futuro, teria permissão para conceder verbas em dólares.

A entidade disse que a nova concessão de 169 milhões de dólares dependia do comportamento do Zimbábue no futuro.

"O Fundo Global não fornecerá nenhuma dessas novas verbas ao país até haver acordos sobre a canalização do dinheiro impedindo que esses montantes cheguem às mãos do governo", afirmou Demey.

A Índia, um dos maiores beneficiados pelo fundo, viu seu pedido para receber 128 milhões de dólares recusado porque "a solidez da postura (do país) não foi a esperada", disse o porta-voz. Os indianos haviam, antes, recebido 490 milhões de dólares.

A próxima rodada de concessão de verbas deve ser aprovada pelo Fundo Global em novembro de 2009.

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