Fundador do WikiLeaks terá encontro com polícia, diz advogado

Mandado de prisão da Suécia foi recebido no Reino Unido; autoridades australianas prometeram assistência consular a Julian Assange

iG São Paulo |

O advogado do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, confirmou ter negociado nesta segunda-feira com a polícia britânica, com quem debateu sobre o mandado de prisão emitido pela Suécia contra o responsável pelo vazamento de documentos diplomáticos dos Estados Unidos.

Segundo disse o advogado Mark Stephens a jornalistas em Londres, a política britânica o chamou para dizer que autoridades locais receberam o mandado de prisão emitido pela Suécia contra Assange, que está escondido no Reino Unido.

AFP
Fundador do WikiLeaks, australiano está escondido no Reino Unido
Stephens contou também que está negociando horário e local para que Assange, de origem australiana, encontre-se com a Scotland Yard. "Estamos tomando providências para nos reunirmos com a polícia voluntariamente a fim de facilitar o interrogatório de que precisam", afirmou, sem divulgar a data do encontro.

Para enviar Assange para a Suécia, a Scotland Yard teria também de buscar um mandado de prisão na corte de Westminster and City, que lida com extradições no Reino Unido.

Em um dos processos, o australiano de 39 anos é acusado de estupro e assédio sexual. Em outro caso, há acusações de assédio sexual e coerção. O fundador do Wikileaks nega as acusações, que seu advogado de defesa chama de “perseguição” a seu cliente.

A Austrália, terra natal de Assange, disse que daria assistência consular caso ele fosse preso no exterior. O procurador-geral da Austrália, Robert McClelland, no entanto, condenou o vazamento de documentos diplomáticos, alegando que ameaçam a segurança. Ele defende também que a Austrália ajude na investigação criminal sobre as atividades de Assange.

Conta bancária

Também nesta segunda-feira, o banco suíço PostFinance anunciou o fechamento da conta aberta por Julian Assange. Segundo o WikiLeaks, o banco congelou seu "fundo de defesa" e bens pessoais avaliados em 31 mil euros (R$ 69.386).

O PostFinance (braço financeiro dos Correios da Suíça) afirmou ter encontrado dados errados no cadastro do criador do WikiLeaks. "Assange tinha dado informações falsas sobre seu domicílio", afirmou a instituição. Segundo o Post Finance, não há como comprovar que Assange mora em Genebra, na Suíça, conforme indicado na ficha cadastral. Por isso, ele fica impedido de ter conta no banco.

No sábado, a empresa americana PayPal, que oferece um serviço de pagamento pela internet, também anunciou o fim da conta do WikiLeaks, pela qual o site recebia doações de usuários. O WikiLeaks acusou a empresa de ceder à pressão do governo dos Estados Unidos.

Em comunicado, o PayPal afirmou que a medida foi tomada porque o WikiLeaks violou a "política" do site. Um dos requisitos exigidos é que o PayPal "não seja utilizado para atividades que encorajem, promovam, facilitem ou instruam pessoas a realizarem atividades ilegais".

Domínio

Na sexta-feira, o WikiLeaks foi obrigado a mudar de endereço após seu domínio original (wikileaks.org) ser retirado do ar pelo provedor americano EveryDNS. Segundo a EveryDNS, ataques de hackers ao WikiLeaks estavam ameaçando toda a sua rede.

O site passou a funcionar no endereço wikileaks.ch, com base na Suíça. Um rastreamento mostrou que o WikiLeaks também está hospedado em um servidor francês, o OVH, baseado em Roubaix. Mas o Ministério de Economia Digital da França, Eric Besson, iniciou o procedimento para que site deixe de ser hospedado no servidor francês por considerá-lo "criminoso". Besson escreveu ao Conselho Geral da Indústria, Energia e Tecnologias (CGIET) para que acabe com a presença no OVH.

Na quarta-feira, o WikiLeaks anunciou que a Amazon.com o expulsou de seus servidores, forçando o site a voltar para um provedor sueco.

*Com AP e AFP

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