Fundador do WikiLeaks critica 'autobiografia não-autorizada'

Assange acusa editora britânica de distruibuir sem autorização obra da qual aceitou participar, mas depois voltou atrás

BBC Brasil |

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O fundador do site WikiLeaks (especializado em vazamento de informações), Julian Assange , acusou uma editora britânica de quebra de contrato ao distribuir, sem a sua autorização, um livro autobiográfico que chega às livrarias nesta quinta-feira.

O livro da editora Canongate, baseada em Edimburgo, Escócia, foi escrito por um ghost-writer (anônimo que escreve textos em nome do autor intelectual da obra) após mais de 50 horas de entrevista com Assange.

Após ler o primeiro rascunho, em março, o fundador do WikiLeaks decidiu voltar atrás no projeto. Entretanto, a editora já havia dado a Assange um adiantamento que, segundo informações do diário "The Guardian" - antigo parceiro do WikiLeaks - equivalia a R$ 1,4 milhão.

Como a editora já havia pagado o dinheiro, os editores resolveram seguir adiante e publicar o livro.

"No dia 7 de junho de 2011, com 38 editoras em todo o mundo comprometidas a publicar o livro, Julian nos disse que queria cancelar o seu contrato", disseram os editores em um comunicado à imprensa. "Entretanto, ele já havia transferido o adiantamento para seus advogados a fim de pagar despesas legais. Decidimos honrar o contrato e publicar o livro."

Ainda de acordo com o comunicado, a Canongate afirmou que "assim que o adiantamento tiver sido coberto com o resultado arrecadado das vendas, continuaremos a honrar o contrato e a pagar-lhe royalties".

Polêmica

Antes de "Julian Assange - A Autobiografia Não-Autorizada" chegar às bancas, o autor das memórias disse que o livro é uma "obra incompleta", baseada em um rascunho de livro e contém fatos não-checados.

"Os eventos relacionados à publicação não-autorizada da Canongate não têm a ver com o princípio da liberdade da informação. São apenas uma velha forma de oportunismo: sacanear as pessoas para ganhar um trocado", disse Assange sobre o livro.

O fundador do WikiLeaks alega que a empresa está desrespeitando o contrato e o entendimento verbal entre as duas partes, de que o rascunho não fosse publicado sem sua autorização.

O livro reconta a infância de Assange na Austrália, seu envolvimento com o mundo de hackers de computador e a fundação do site que se tornou célebre pelo vazamento de informações confidenciais de autoridades.

Jornais europeus apontaram a ironia de que o "vazamento" da autobiografia do ativista chegue agora às bancas.

Acusações

A obra contém um capítulo sobre as mais recentes polêmicas envolvendo Assange, que continua apelando na Justiça da Grã-Bretanha contra um pedido de extradição da Suécia. No país nórdico, ele deve responder a acusações de estupro feito por duas mulheres suecas.

O ativista sustenta que teve relações sexuais com as mulheres com o consentimento delas. Em um artigo no diário The Independent", Assange voltou a negar as acusações da Justiça sueca.

"Não estuprei aquelas mulheres nem posso imaginar o que tenha ocorrido entre nós que as faria pensar isso, exceto má intenção após o fato, um plano conjunto para me apanhar em uma armadilha, ou um terrível equívoco alimentado entre elas", escreveu.

"Posso ser uma espécie de porco chauvinista, mas não sou estuprador, e apenas uma visão distorcida das políticas sexuais pode tentar me transformar em um", afirmou. "Cada uma delas concordou em ter relações sexuais comigo, e estavam contentes de ficar comigo depois. É tudo."

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