Fundador do Wikileaks atribui ao Pentágono acusação de estupro

Julian Assange era acusado de estupro e agressão; seu site vazou milhares de documentos confidenciais sobre guerra no Afeganistão

iG São Paulo |

Reuters
Julian Assange no dia da publicação de milhares de relatórios sobre a guerra do Afeganistão (26/07/2010)
O fundador do site Wikileaks, o australiano Julian Assange, de 39 anos, sugeriu que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos pode estar por trás das acusações que o levaram a ser procurado durante 12 horas por estupro na Suécia . "Não sei o que há por trás. Mas haviam nos advertido que, por exemplo, o Pentágono podia jogar sujo para nos destruir", afirmou Assange em uma entrevista publicada no jornal sueco Aftonbladet.

"Além disso, alertaram contra armadilhas sexuais", acrescentou, sem especificar se achava que havia caído numa delas. "Talvez sim, talvez não", limitou-se a comentar.

"Já me acusaram de todo tipo de coisa nos últimos anos, mas nunca de algo tão grave. O que posso dizer é que nunca tive, nem na Suécia nem em nenhum outro país, relações sexuais com uma pessoa sem consentimento comum", afirmou.

O fundador do Wikileaks anunciou que seus advogados estudam apresentar várias queixas, uma delas contra o jornal "Expressen", o primeiro que divulgou a notícia em sua edição eletrônica, com grande foto de Assange e a confirmação da promotora responsável.

Assange estava na Suécia há alguns dias, participando de conferências, após aceitar oferta do Partido Pirata local, que propôs hospedar vários servidores do Wikileaks por causa da suposta perseguição sofrida por parte das autoridades dos EUA. Na noite de sexta-feira para sábado, a polícia buscou Assange para fazer sua detenção, mas o fundador do Wikileaks estava em paradeiro desconhecido, e não foi encontrado durante a operação.

Neste domingo, a promotoria sueca justificou o pedido de prisão por estupro emitido na sexta-feira e anulado no sábado , em um comunicado divulgado em Estocolmo. "No sábado, o chefe dos promotores da Suécia, Eva Finné, obteve mais informações do que o promotor de plantão na noite de sexta-feira. Uma decisão como o pedido de prisão deve ser reavaliada no curso da investigação", afirma o comunicado da promotoria para explicar as razões pelas quais foi anulado o pedido de prisão contra Assange.

Na noite de sábado, o porta-voz do promotor, Karin Rosander, declarou à AFP que o procedimento seguido pelo promotor de plantão havia sido normal. Tratando-se de acusações tão graves como a de estupro, o pedido de prisão é automático, indicou Rosander.

A promotora de plantão, Maria Haljebo Kjellstrad, afirmou que não lamentava em nada sua decisão, em uma entrevista concedida ao Expressen. "Recebi um relatório da polícia, que me pareceu suficiente para detê-lo", contou. "Na sexta-feira à noite, recebi uma ligação da polícia descrevendo o que as mulheres haviam dito. A informação que recebi era tão convincente que tomei minha decisão", declarou Haljebo Kjellstrand.

Na sexta, a promotoria havia anunciado que Assange era investigado por estupro e por agressão por causa das declarações de duas mulheres à polícia. Segundo o Expressen, duas mulheres, de 20 e 30 anos, foram à polícia na sexta-feira para denuciar estupro e agressão de Assange. Intimidadas, elas não quiseram prestar queixa, mas a polícia tomou a iniciativa de informar a promotoria.

Também de acordo com o jornal, Assange teria conhecido uma das mulheres no sábado à noite da semana passada em um apartamento de Södermalm, bairro de Estocolmo, e a outra na manhã de terça, em Enköping, quilômetros a noroeste da capital.

No sábado, a promotoria anunciou que "Julian Assange não era suspeito de estupro, mas continuava aberta uma investigação por agressão contra uma mulher". Assange negou imediatamente as acusações, e ele e pessoas próximas afirmaram que o incidente se tratou de uma manobra mal-intencionada contra o Wikileaks.

Durante o sábado, Assange lançou indagou: "Por que essas acusações agora? É interessante", disse, sem dar detalhes, na página na internet do jornal sueco Dagens Nyheter (DN.se).

O Wikileaks, que declarou apoio a seu fundador em um comunicado publicado em seu blog oficial, enfureceu o governo americano ao publicar, na internet, 77 mil documentos confidenciais sobre a guerra no Afeganistão . Sob o título "Diário da Guerra Afegã", o Wikileaks publicou em 25 de julho documentos relativos ao período desde janeiro de 2004 até 2010, e nos quais são reveladas desde mortes de civis não divulgadas até a possível colaboração dos serviços secretos do Paquistão com a milícia islâmica afegã do Taleban. Na semana passada, Assange anunciou em Estocolmo a intenção de publicar outros 15 mil documentos sobre o conflito .

*Com AFP e EFE

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