Fundador do WikiLeaks terá encontro com polícia, diz advogado

Mandado de prisão da Suécia foi recebido no Reino Unido; autoridades australianas prometeram assistência consular a Julian Assange

iG São Paulo | 06/12/2010 20:00

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O advogado do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, confirmou ter negociado nesta segunda-feira com a polícia britânica, com quem debateu sobre o mandado de prisão emitido pela Suécia contra o responsável pelo vazamento de documentos diplomáticos dos Estados Unidos.

Segundo disse o advogado Mark Stephens a jornalistas em Londres, a política britânica o chamou para dizer que autoridades locais receberam o mandado de prisão emitido pela Suécia contra Assange, que está escondido no Reino Unido.

Foto: AFP

Fundador do WikiLeaks, australiano está escondido no Reino Unido

Stephens contou também que está negociando horário e local para que Assange, de origem australiana, encontre-se com a Scotland Yard. "Estamos tomando providências para nos reunirmos com a polícia voluntariamente a fim de facilitar o interrogatório de que precisam", afirmou, sem divulgar a data do encontro.

Para enviar Assange para a Suécia, a Scotland Yard teria também de buscar um mandado de prisão na corte de Westminster and City, que lida com extradições no Reino Unido.

Em um dos processos, o australiano de 39 anos é acusado de estupro e assédio sexual. Em outro caso, há acusações de assédio sexual e coerção. O fundador do Wikileaks nega as acusações, que seu advogado de defesa chama de “perseguição” a seu cliente.

A Austrália, terra natal de Assange, disse que daria assistência consular caso ele fosse preso no exterior. O procurador-geral da Austrália, Robert McClelland, no entanto, condenou o vazamento de documentos diplomáticos, alegando que ameaçam a segurança. Ele defende também que a Austrália ajude na investigação criminal sobre as atividades de Assange.

Conta bancária

Também nesta segunda-feira, o banco suíço PostFinance anunciou o fechamento da conta aberta por Julian Assange. Segundo o WikiLeaks, o banco congelou seu "fundo de defesa" e bens pessoais avaliados em 31 mil euros (R$ 69.386).

O PostFinance (braço financeiro dos Correios da Suíça) afirmou ter encontrado dados errados no cadastro do criador do WikiLeaks. "Assange tinha dado informações falsas sobre seu domicílio", afirmou a instituição. Segundo o Post Finance, não há como comprovar que Assange mora em Genebra, na Suíça, conforme indicado na ficha cadastral. Por isso, ele fica impedido de ter conta no banco.

No sábado, a empresa americana PayPal, que oferece um serviço de pagamento pela internet, também anunciou o fim da conta do WikiLeaks, pela qual o site recebia doações de usuários. O WikiLeaks acusou a empresa de ceder à pressão do governo dos Estados Unidos.

Em comunicado, o PayPal afirmou que a medida foi tomada porque o WikiLeaks violou a "política" do site. Um dos requisitos exigidos é que o PayPal "não seja utilizado para atividades que encorajem, promovam, facilitem ou instruam pessoas a realizarem atividades ilegais".

Domínio

Na sexta-feira, o WikiLeaks foi obrigado a mudar de endereço após seu domínio original (wikileaks.org) ser retirado do ar pelo provedor americano EveryDNS. Segundo a EveryDNS, ataques de hackers ao WikiLeaks estavam ameaçando toda a sua rede.

O site passou a funcionar no endereço wikileaks.ch, com base na Suíça. Um rastreamento mostrou que o WikiLeaks também está hospedado em um servidor francês, o OVH, baseado em Roubaix. Mas o Ministério de Economia Digital da França, Eric Besson, iniciou o procedimento para que site deixe de ser hospedado no servidor francês por considerá-lo "criminoso". Besson escreveu ao Conselho Geral da Indústria, Energia e Tecnologias (CGIET) para que acabe com a presença no OVH.

Na quarta-feira, o WikiLeaks anunciou que a Amazon.com o expulsou de seus servidores, forçando o site a voltar para um provedor sueco.

*Com AP e AFP

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