Porto Príncipe, 11 abr (EFE).- O presidente da Fundação Jaime Haiti (Amo ao Haiti), Gerald Oriol Junor, fez hoje um apelo a favor de uma sociedade haitiana mais justa para acolher às pessoas que sofreram amputações depois do terremoto de 12 de janeiro.

Oriol Junor pediu por uma "nova sociedade haitiana" que seja inclusiva, onde centenas de mutilados possam aprender novas habilidades e se adaptar.

Estima-se que haja cerca de 4 mil amputados, segundo organismos internacionais, embora as autoridades haitianas receiem que o número possa chegar a 8 mil.

"Perder um pé é uma sorte quando tanta gente perdeu a vida", disse um rapaz de 24 anos que foi uma das primeiras vítimas do terremoto submetida à amputação.

Em um país cuja cultura carece de projetos para acolher aos deficientes físicos, pessoas como este jovem tentam sobreviver em situação de desvantagem e encontram uma "situação psicológica difícil", apesar de ainda sim, demonstrarem coragem.

A adaptação parece ser um desafio, mas "se a sociedade se conscientizar das necessidades dos amputados, a maioria deles pode ser tornar cidadãos produtivos e integrar-se normalmente à sociedade", acrescentou o presidente de J'aime Haiti.

Os serviços de reabilitação incluem apoio às famílias e acompanhamento, assim como, próteses oferecidas por organismos internacionais. Oriol agradeceu essas unidades que "fazem um trabalho fundamental" ao oferecer "serviços de reabilitação e readaptação", enquanto as estruturas nacionais buscam se restabelecer.

Além de voltar a caminhar com um "novo pé", é preciso "pensar no acesso às escolas, à administração privada e pública e ao emprego" para as pessoas incapacitadas, lembrou.

Antes de 12 de janeiro, o número de deficientes no Haiti chegava a 800 mil, ou seja, 10% da população, porém só 40 mil tinham acesso à educação. EFE gp/dm

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