Funcionários do jornal The Sun são presos em investigação de suborno

Jornalistas estão entre os oito detidos para interrogatório sobre suspeita de suborno de policiais e outros funcionários públicos

iG São Paulo |

A polícia britânica prendeu cinco funcionários do tabloide The Sun neste sábado com mais três pessoas, suspeitos de subornar policiais e outros prestadores de serviços públicos, informou a News Corporarion , grupo que detém o jornal.

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AP
Câmera filma prédio da News International em Londres

Em comunicado, a News Corporation de Rupert Murdoch disse que a polícia também realizou buscas nas casas dos cinco funcionários e do escritório do grupo em Londres, aprofundando o escândalo de práticas ilegais realizadas pelos tabloides na empresa.

Segundo a BBC, Rupert Murdoch disse que está comprometido em continuar a publicar o jornal, apesar do ocorrido. Um porta-voz da News International - o braço britânico da News Corp. - confirmou a posição de Murdoch.

Uma funcionária de 39 anos do Ministério da Defesa, um homem de 36 anos membro das Forças Armadas, e um oficial de 39 anos da polícia de Surrey também foram presos na operação desta manhã, segundo a polícia.

As prisões na equipe do The Sun, comprado por Murdoch em 1969 e considerado a 'menina dos olhos' do império de mídia, ocorrem pouco após as detenções no último mês de quatro atuais e antigos jornalistas que trabalhavam para a publicação, ligados ao mesma investigação de suborno.

Murdoch fechou as portas do tabloide News of the World , que circulava no Reino Unido há 168 anos, em julho em meio à ira popular quando foram revelados casos de escutas ilegais em telefones de celebridades, figuras públicas e vítimas de crimes para a obtenção de notícias exclusivas.

Dominic Mohan, editor do The Sun, expressou surpresa com as prisões, mas insistiu que sua equipe estava comprometida com o jornal. "Eu estou tão chocado quanto todo mundo pelas prisões de hoje, mas estou determinado a liderar o The Sun através desses tempos difíceis", disse em comunicado. "Eu tenho uma equipe brilhante e nós temos o dever de servir nossos leitores e continuaremos fazendo isso. Nosso foco é colocar na banca o jornal de segunda-feira."

Um total de 21 pessoas foram presas na acusação de suborno - incluindo três policiais - embora nenhum delas tenha sido condenado até o momento.

Entre os detidos está Rebekah Brooks, ex-chefe executivo do News International; o ex-editor do News of the World Andy Culson - que também é o ex-chefe de comunicação do premiê David Cameron; e jornalistas do News of the World e do The Sun.

Um ex-executivo do News of the World, que pediu anonimato, disse que o atual vice-diretor do The Sun, Geoff Webster, o editor de imagens John Edwards e o chefe de reportagem John Kay, estavam entre os presos deste sábado. A rede de televisão britânica Sky News afirmou que o chefe dos correspondentes internacionais Nick Parker e o repórter John Sturgis também estão sendo interrogados. A News Corporation não confirmou as identidades dos detidos.

A polícia afirmou que as últimas prisões ocorreram depois que detetives conseguiram informações pelo comitê de gestão da própria News Corp., criada para investigar as supostas práticas ilegais.

Inicialmente, a investigação policial - que corre em paralelo aos inquéritos sobre grampos telefônicos e supostas interceptações de e-mail - estava concentrada em provar se repórteres deram remuneração ilegal a policiais para obter informações. Detetives disseram no sábado que estenderam o objetivo da Operação Elveden para incluir também outras autoridades públicas.

"A missão da Operação Elveden foi ampliada para incluir a investigação de evidências descobertas em relação à suspeita de corrupção envolvendo funcionários públicos que não são policiais", disse a polícia em comunicado.

Todos os oito detidos deste sábado estão sendo interrogados pela polícia em Londres e nas delegacias no sul inglês de Kent, Essex, Surrey e Wiltshire. Os cinco jornalistas do The Sun - com idades entre 45 e 68 anos - estão sendo perguntados sobre as suspeitas de corrupção.

Com AP e Reuters

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