Funcionários da CIA poderiam ter que responder perante a justiça britânica

Londres, 31 out (EFE).- Altos funcionários da CIA (agência americana de inteligência) poderiam ter de comparecer perante a justiça britânica por causa de torturas supostamente infligidas a um residente no Reino Unido atualmente internado em Guantánamo e que passou antes por várias prisões secretas, informa hoje The Independent.

EFE |

A ministra britânica do Interior, Jacqui Smith, pediu à Procuradoria Geral que estude a possibilidade de submeter a processo criminal os norte-americanos supostamente responsáveis pelos abusos cometidos contra Binyam Mohammed durante o tempo que passou em prisões do Marrocos e Afeganistão.

Jacqui Smith decidiu agir depois que vários juízes britânicos criticaram os promotores americanos, após examinarem as provas apresentadas de que Mohammed, de origem etíope mas residente na Grã-Bretanha, foi efetivamente submetido a torturas.

Uma das acusações feitas é a de que os torturadores de Mohammed usaram uma navalha de barbeiro para fazer cortes em seu pênis.

Binyam Mohammed, de 30 anos, que obteve asilo político na Grã-Bretanha em 1994, acusa os agentes do MI5, serviços secretos britânicos, de não terem dito a verdade sobre o que sabiam dos planos da CIA de levá-lo para uma prisão norte-africana, onde, segundo afirma, foi submetido a torturas terríveis.

Mohammed, o último dos cidadãos britânicos ou residentes no Reino Unido que permanece na prisão de Guantánamo, está à espera da decisão que vai ser julgada nessa base americana em território cubano.

Seu advogado, Clive Stafford Smith, comemorou a decisão da ministra do Interior britânica de que se averigúem as supostas torturas às quais seu cliente foi submetido e a possibilidade de atuar contra os agentes da CIA.

Mohammed foi preso em 2002 no Paquistão, onde um agente secreto britânico o interrogou. Posteriormente foi enviado pela CIA ao Marrocos, onde supostamente foi submetido a torturas durante um ano e meio, após o que foi enviado para outra prisão secreta no Afeganistão, e desde setembro de 2004 está detido em Guantánamo. EFE jr/ma

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