Fumante passivo pode desenvolver demência

(Embargada até 22h01 de Brasília) Londres, 12 fev (EFE).- A exposição à fumaça do cigarro alheio pode aumentar o risco de desenvolver demência e outras alterações do sistema cognitivo, afirma um estudo publicado hoje pelo British Medical Journal.

EFE |

Pesquisas anteriores já tinham estabelecido um vínculo entre ser fumante e sofrer demência, e também foi comprovado que pode existir um risco para as funções cognitivas das crianças e adolescentes que estiverem expostos à fumaça do cigarro.

No entanto, o estudo publicado na revista britânica do setor médico é o primeiro em escala nacional que mostra que existe uma relação entre ser fumante passivo e o desenvolvimento de demência ou outros problemas neurológicos.

Os autores, britânicos e americanos, dirigidos pelo professor David Llewellyn da Universidade de Cambridge (Reino Unido), analisaram amostras de saliva de quase 5 mil adultos com mais de 50 anos que não eram fumantes, utilizando dados de estudos de saúde realizados na Inglaterra em 1998, 1999 e 2001.

Os participantes também tinham participado de um programa de estudo sobre o envelhecimento no Reino Unido.

Os pesquisadores procuraram nas amostras rastros de cotinina, um produto da nicotina que pode ser encontrado na saliva até 25 horas após a exposição à fumaça do cigarro.

Além disso, os voluntários deram um detalhado histórico sobre sua relação com esse hábito. Os não fumantes e os que o tinham fumado antes foram examinados separadamente.

Os pesquisadores usaram teste neurofisiológicos reconhecidos para avaliar as funções cerebrais e deficiências cognitivas.

Os participantes cujos resultados ficaram em 10% inferior foram considerados com algum tipo de impedimento cognitivo.

Ao analisar os resultados, os especialistas concluíram que a exposição à fumaça do cigarro parece aumentar as probabilidades de desenvolver algum tipo de deficiência cognitiva.

Os autores argumentam que a relação entre a exposição à fumaça e a deterioração das funções cognitivas poderia ser explicada pelo fato de que, como foi comprovado, ser fumante passivo aumenta o risco de ter doenças cardíacas, e essas patologias são associadas com um maior risco de demência.

Em artigo na mesma revista, Mark Eisner, da Universidade da Califórnia, afirma que, embora muitos estudos conclusivos estabeleçam uma relação entre ser fumante passivo e doenças como o câncer ou uma morte prematura, há muito a pesquisar sobre que outros males podem ser causados pela exposição ao cigarro. EFE jm/an

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