Fukushima registra maior contaminação marinha da história

Estudo acredita que além de contaminar oceano, o desastre nuclear lançou um total correspondente a 40% de césio 137 de Chernobyl

iG São Paulo |

O acidente nuclear de Fukushima ocorrido em março desse ano provocou a maior contaminação radioativa marinha da história, informou nesta quinta-feira o Instituto de Pesquisa de Segurança Nuclear da França (IRSN).

AP
Com roupa que protege contra radiação, polícia japonesa procura pessoas desaparecidas no terremoto seguido de tsunami, em Minamisoma, em Fukushima, Japão (31/3)

A interpretação dos resultados da medição de césio 137 na água do mar fez com que o IRSN atualizasse a estimativa da quantidade total desse elemento lançada no mar entre 21 de março e meados de julho. "Essa é a maior quantidade desse radioisótopo artificial presente em meio marinho", afirmou o instituto em comunicado.

Apesar disso, a localização da usina de Fukushima "permitiu uma dispersão excepcional desse elemento, pela presença de uma das principais correntes marítimas do mundo, que espalha as águas contaminadas em direção ao oceano Pacífico".

Por isso, os especialistas acreditam que as consequências da presença dos elementos radioativos nas águas serão minimizadas. Logo após o acidente, foram registradas nas imediações da usina concentrações muito grandes de radioatividade, que foram caindo a níveis normais com o passar do tempo.

O ISRN afirmou, no entanto, que a poluição poderia aumentar devido à presença de elementos radioativos presentes no solo transportados pela água em direção ao mar. "Os resultados das medições mostraram uma persistência da contaminação de espécies marinhas, principalmente peixes que vivem no litoral de Fukushima. Portanto está justificado o estado de vigilância", acrescentou a IRSN.

Um outro estudo, feito pelo Instituto Norueguês de Pesquisa Aérea, diz que o desastre nuclear de Fukushima lançou o dobro de césio 137 para a atmosfera do que o estimado pelas autoridades japonesas, atingindo um nível de 40% do total de Chernobyl.

O autor do estudo, Andreas Stohl, diz que a estimativa japonesa veio apenas a partir de dados coletados no Japão, perdendo as emissões dispersadas pelos ventos marítimos.

Esse estudo não considera as implicaçõs na saúde desse nível de radiação. O césio 137 é perigoso, porque é capaz de permanecer por décadas no ambiente, liberando radiação que provoca câncer.

Os efeitos a longo prazo do acidente nuclear ainda não são claros, por conta da dificuldade em se medir a quantidade de radiação recebida pelos habitantes. Em entrevista concedida à Associated Press, Stohl disse que as estimativas de emissão são tão imprecisas que encontrar o dobro da quantidade de césio não é considerado uma grande margem de erro. Ele disse também que algumas estimativas prévias são maiores do que as de sua análise.

Apenas de já ter sido disponibilizado online, o estudo não foi completado formalmente e não foi aceito para publicação oficial.

Há alguns meses, o governo japonês estimou que o desastre de Fukushima liberou 15 mil terabecquerels de césio (terabecquerels são uma medida para radiação). O novo estudo garante que esse número é de cerca de 36 mil terabecquerels. Isso significa 42% das estimativas referentes a Chernobyl.

O estudo também diz que cerca de um quinto do césio caiu no território japonês, enquanto o resto foi para o Oceano Pacífico. Apenas 2% caiu em territórios fora do Japão.

Especialistas não têm projeções sobre a proporção de casos de câncer resultados do desastre, mas estão tentando descobrir quantas pessoas receberam a radiação. Vestígios da radiação de Fukushima foram encontrados em Tóquio e nos EUA, mas estudiosos acreditam que não há por que se preocupar com a saúde nesses casos.

Com AP e EFE

    Leia tudo sobre: japãofukushimaterremotocésio 137energia nuclearradiação

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG