Fujimori sabia da atuação de Montesinos em massacre de 1991, diz testemunha

Lima, 8 ago (EFE).- O ex-chefe de Estado peruano Alberto Fujimori soube pouco depois do massacre de Barrios Altos (1991) que seu braço direito, Vladimiro Montesinos, estava envolvido neste crime, assegurou hoje o ex-vice-presidente Máximo San Román.

EFE |

A testemunha disse à junta que julga Fujimori por violação dos direitos humanos, que entregou ao acusado, dias antes do autogolpe de Estado de 1992, um relatório de inteligência que responsabilizava Montesinos pelo assassinato de 15 pessoas em Barrios Altos.

San Román acrescentou que o ex-governante (1990-2000) não fez nenhum comentário sobre o documento e se limitou a guardá-lo.

Fujimori é julgado desde dezembro passado por este crime e pelo massacre de La Cantuta, assim como pelo seqüestro de um jornalista e de um empresário após o autogolpe.

Segundo a acusação da Promotoria, que pede 30 anos de prisão para Fujimori, este conheceu e respaldou a recomendação que foi feita por Montesinos para a formação do Grupo Colina, o esquadrão militar encoberto que perpetrou os massacres mais notórios do regime.

O ex-vice-presidente peruano também afirmou que em agosto de 1990 entregou a Fujimori outro relatório de inteligência, no qual estavam detalhados os antecedentes de Montesinos, um ex-oficial do Exército que foi expulso dessa instituição por suspeitas de espionagem e usurpação de funções.

Naquele momento, Fujimori respondeu ao seu então vice-presidente: "(Montesinos) é meu assessor e eu assumo qualquer responsabilidade", contou a testemunha.

San Román lembrou que, após o autogolpe de Estado de 5 de abril de 1992, sofreu represálias por sua proximidade com o general do Exército Jaime Salinas Sedó, que lhe advertiu sobre as pretensões do presidente de instalar um regime cívico-militar.

Leia mais sobre: Fujimori

    Leia tudo sobre: fujimori

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG