Fujimori reitera que não conhecia planos de guerra suja durante seu Governo

Lima - O ex-presidente peruano Alberto Fujimori, que ficou no poder entre 1990 e 2000, afirmou hoje que desconhecia os planos de aplicar uma guerra de baixa intensidade contra o terrorismo durante seu Governo.

EFE |

Fujimori depôs hoje no Tribunal que o julga por violações dos direitos humanos, e assinalou que queria "fazer alguns comentários" sobre as declarações do jornalista Umberto Jara durante as últimas cinco audiências.

O ex-presidente afirmou que uma visita que fez ao Japão e Estados Unidos no início de seu primeiro Governo "teve como único propósito conseguir apoio financeiro, e em nenhum momento foi tratada a luta terrorista".

"Não conheci planos de uma guerra de baixa intensidade, não conheci nem tive contato com o plano Cipango", assinalou, em referência ao suposto plano de guerra suja aplicado em seu Governo.

Fujimori também disse que as mensagens que dirigiu aos peruanos durante a luta contra o terrorismo "tinham como único destinatário o povo, para dar ânimo e confiança nos momentos difíceis".

O ex-presidente peruano comentou ainda as versões que indicam que ele deu esses discursos como uma forma de avisar aos terroristas que aconteceria uma guerra suja para exterminá-los.

"Quando disse que esses terroristas seriam eliminados, eles e seu veneno, (as declarações) tinham esse ponto de referência", explicou.

Fujimori, que permanece preso em uma base policial de Lima, afirmou que durante sua gestão foi acordado "intensificar as ações de inteligência e a adesão dos povos" do interior do país à luta contra o terrorismo.

Rejeitou ainda qualquer vinculação com o massacre de La Cantuta, cometido em 1992 pelo grupo militar encoberto Colina, que seqüestrou e assassinou nove estudantes e um professor de uma universidade pública de Lima.

Fujimori deu este depoimento depois que na audiência de hoje fosse exibida uma entrevista gravada em vídeo que Jara fez com o ex-chefe do grupo Colina Santiago Martin Rivas.

Nesse vídeo, gravado na clandestinidade em 2002, Martin Rivas confirmou que estava convencido de que Fujimori autorizou uma "guerra de baixa intensidade" contra o terrorismo.

O ex-líder do Colina assegurou que a guerra suja, como parte de uma política de Estado, foi inspirada nas táticas americanas utilizadas durante a Guerra do Vietnã.

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