Fujimori é condenado a 25 anos de prisão por violações aos direitos humanos

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi condenado nesta terça-feira a 25 anos de prisão por violações aos direitos humanos, entre as quais massacres de civis praticados por esquadrões da morte, durante sua presidência, de 1990 a 2000.

AFP |

As acusações foram comprovadas "além de qualquer dúvida razoável, e por isso o julgamento é condenatório", declarou o juiz Cesar San Martin ao iniciar a leitura da sentença que durou várias horas.

A acusação havia pedido 30 anos de prisão, ao término de um processo que durou 16 meses em Lima. A defesa pediu a absolvição.

Fujimori, 70 anos, era julgado por suposto envolvimento em dois massacres que deixaram 15 mortos em 1991 e 10 mortos em 1992, praticados por "esquadrões da morte" como parte da guerra impiedosa e parcialmente oculta travada pelo governo contra as guerrilhas de esquerda.

Em 1991, 15 pessoas, entre elas mulheres e crianças, foram assassinadas em Barrio Altos, em Lima, por um grupo de homens com toucas ninjas que abriram fogo durante uma festa, aparentemente por "engano". Em julho de 1992, nove estudantes e um professor de La Cantuta, em Lima, foram sequestrados e executados com uma bala na nuca.

Fujimori clamou inocência, negando ter tido conhecimento destas operações ou ordenado a morte de quem quer que seja.

Ele também afirmou durante seu processo que a história o "reconhecerá" por ter deixado um Peru "estabilizado e pacífico". O conflito sangrento travado entre 1980 e 2000 pelo Exército e as guerrilhas do Sendeiro Luminoso (maoísta) e do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA, guevarista) traumatizou profundamente o país, deixando 70.000 mortos e desaparecidos.

Fujimori também era julgado pelo sequestro pelos serviços secretos peruanos de um empresário e de um correspondente do jornal espanhol El Pais.

Na manhã desta terça-feira, 2.000 policiais garantiam a segurança nos arredores da Direção das Operações Especiais da Polícia, em Ate, leste de Lima, onde o ex-dirigente do Peru está sendo julgado desde o fim de 2007. Outros 8.000 policiais foram colocados em estado de alerta até quarta-feira.

Centenas de partidários de Fujimori, vigiados de perto pelos policiais, expressaram insatisfação no fim da manhã. Keiko Fujimori, filha do ex-dirigente e provável candidata à presidência nas eleições de 2011, conclamou seus simpatizantes a se manifestarem em caso de condenação de seu pai.

Uma condenação "constituirá, infelizmente, a prova de que a promessa de justiça não passou de uma mentira, e que meu pai não foi submetido a um processo judicial, mas a um processo político e midiático", declarou Keiki Fujimori nesta terça-feira antes do veredicto.

"Fujimori, o povo está contigo", "Fujimori, meu amigo", podia-se ler em faixas estendidas pelos partidários do ex-presidente. Segundo uma pesquisa recente, 31% dos peruanos afirmaram compartilhar as ideias de Fujimori, mas 64% acreditam em sua culpabilidade. Além de violações dos direitos humanos, Fujimori também foi alvo de vários escândalos de corrupção.

O presidente do Peru, Alan Garcia, pediu aos peruanos que respeitem o julgamento e lembrou aos partidários de Fujimori que eles têm o direito de recorrer da sentença, "algo que proporciona a democracia e que as ditaduras não permitem", afirmou, referindo-se aos avanços democráticos realizados pelo Peru desde a saída de Fujimori.

O ex-presidente já foi condenado no fim de 2007 a seis anos de prisão em um caso de abuso de poder. Ele ainda tem dois julgamentos pendentes por corrupção.

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